
Do confinamento ao topo da educação: Jovens da Fundação CASA chegam à semifinal de Olimpíada da Unicamp

Por trás das grades e longe de um passado marcado por percalços, seis adolescentes do interior e do litoral de São Paulo encontraram nos livros a chave para reescrever suas próprias histórias. Pela primeira vez na história, duas equipes formadas por jovens que cumprem medida socioeducativa na Fundação CASA avançaram juntas para a semifinal da 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), organizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em uma competição gigantesca que mobilizou mais de 64 mil equipes de todo o país, os grupos dos centros socioeducativos de Itaquaquecetuba e Caraguatatuba superaram desafios gigantescos, mergulharam em análises de documentos e dedicaram mais de 40 horas de estudos intensos para figurar entre os melhores do Brasil.
O despertar de um novo olhar para o futuro
Mais do que uma competição acadêmica, a jornada funcionou como um reencontro com a própria dignidade. Ao debaterem temas profundos como o papel das mulheres na ciência, a história da escravidão e a cultura brasileira, os jovens descobriram o prazer pelo saber e o poder do pensamento crítico.
Para um dos adolescentes participante do projeto, o aprendizado abriu portas que pareciam para sempre trancadas: “Foi muito diferente. Eu sempre gostei desta matéria, principalmente pelos temas abordados. Descobri que gosto muito de história e agora meu interesse aumentou. Quero ler mais sobre todos os assuntos relacionados.”
Quando um jovem em situação de vulnerabilidade alcança a semifinal de uma olimpíada científica nacional, a vitória ultrapassa os quadros escolares. Trata-se da descoberta do próprio valor e da certeza de que o conhecimento é capaz de resgatar sonhos e reconstruir identidades.
Prova viva da transformação social
A conquista desses estudantes reflete um movimento silencioso, mas transformador, no ambiente escolar socioeducativo. Dados recentes mostram que o índice de evolução da aprendizagem na alfabetização dentro da instituição deu um salto histórico nos últimos anos, ultrapassando os 81%. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da educação e do ensino profissionalizante tem contribuído diretamente para a redução dos índices de reincidência, que atingiram os menores patamares da última década.
A etapa presencial da olimpíada será realizada no campus da Unicamp, em Campinas. Independentemente do resultado final, esses seis jovens já garantiram a maior das vitórias: a prova viva de que a educação transforma, liberta e dá uma segunda chance a quem decide recomeçar.
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