Quadrilha planejava ataque milionário a banco e monitorava funcionários na região

Criminosos pretendiam sequestrar trabalhadores e obrigá-los a transferir até R$ 30 milhões; plano foi descoberto antes da execução. Caso aconteceu em 2025 e continua sendo investigado
12/08/2026 às 09h27
 - Atualizado há 1 hora
Foto: Divulgação PC-SP

Novos detalhes de uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público, revelados nesta terça-feira, 11, mostram como uma quadrilha planejava atacar uma agência bancária em Cravinhos (SP), na região de Ribeirão Preto, e obrigar funcionários a transferir até R$ 30 milhões para contas controladas pelo grupo. O plano foi descoberto antes de ser executado e envolvia monitoramento de trabalhadores, veículos blindados, explosivos, fuzis e drones. A estratégia é classificada pela polícia como “novo cangaço digital”, uma modalidade em que criminosos deixam de roubar diretamente os cofres bancários e passam a tentar retirar grandes valores por meio de transferências feitas sob ameaça.

As investigações começaram no ano passado, depois que a Polícia Militar abordou um homem armado em um veículo com placas clonadas na Rodovia Anhanguera. A partir dessa prisão, os policiais chegaram a um suspeito apontado como fornecedor de fuzis para a organização e conseguiram mapear a estrutura do grupo. Foi então que descobriram que uma agência bancária localizada no Jardim Santa Cecília, em Cravinhos, estava sendo monitorada. Segundo a investigação, os criminosos filmaram funcionários sem que eles soubessem e levantaram informações pessoais, principalmente sobre o gerente, para preparar a abordagem.

O ataque estava previsto para junho de 2025 e teria uma estrutura semelhante à usada em grandes assaltos a bancos: fuzis, explosivos, carros roubados, veículos blindados, coletes balísticos e drones para monitorar a região. A diferença estava no objetivo. Em vez de invadir a agência para retirar dinheiro dos cofres, os criminosos pretendiam sequestrar funcionários e obrigá-los a realizar transferências eletrônicas. Conversas interceptadas também mostram integrantes discutindo a logística da ação e até pesquisando o aluguel de um veículo blindado de luxo.

O plano acabou frustrado um dia antes da data prevista para o ataque. Na ocasião, dois suspeitos foram abordados durante uma blitz da Polícia Militar na Rodovia Anhanguera, mas tentaram fugir e acabaram presos. A partir deles, os investigadores chegaram a um imóvel utilizado pelo grupo em Cravinhos, onde encontraram veículos, armamentos e celulares. O conteúdo dos aparelhos ajudou a revelar detalhes do planejamento e levou à identificação de outros integrantes. Em fevereiro deste ano, uma nova operação cumpriu dez mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em endereços ligados à organização.

Ao todo, 18 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público e se tornaram rés na Justiça por crimes como organização criminosa, receptação e posse ilegal de arma de fogo. Os equipamentos apreendidos continuam sendo analisados pelas autoridades. O objetivo é identificar outros possíveis envolvidos e verificar se a organização também planejava ações semelhantes em outras cidades da região.

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