Mulher de 33 anos é encontrada em isolamento social há 18 anos em Cristais Paulista

Encontrada em condições precárias de higiene, mulher de 33 anos apresentou sinais de desnutrição, anemia e deficiência de vitaminas
28/10/2026 às 08h23
 - Atualizado há 1 hora
Foto: Divulgação | Conseg

Uma mulher de 33 anos, que vivia em isolamento social há cerca de 18 anos, foi resgatada pela Polícia Civil na segunda-feira, dia 26, em Cristais Paulista, na região de Franca. A ocorrência foi descoberta após uma denúncia ao Disque 100, canal nacional para relatos de violações de direitos humanos. Durante a abordagem, a mulher ficou assustada, gritou e pediu que as pessoas deixassem o local. Com o apoio de profissionais da saúde pública, os agentes conseguiram estabelecer contato com ela e convencê-la a aceitar atendimento médico.

Segundo Renata Valéria, chefe da Divisão de Saúde Pública da Vigilância Sanitária municipal, a mulher estava em um quarto escuro, sem ventilação e com forte odor. Ela relatou aos profissionais que começou a se isolar aos 15 anos, depois de sofrer bullying na escola por causa de uma deformidade no tórax e nas costas. Durante a conversa com as equipes, negou ter sofrido agressões ou maus-tratos por parte da mãe, de 71 anos, com quem mora. Uma avaliação médica inicial também não identificou marcas de violência física.

Após muita conversa e empenho dos envolvidos, a mulher aceitou ser examinada e foi encaminhada de ambulância ao Pronto-Socorro Municipal. Os profissionais de saúde identificaram sinais compatíveis com desnutrição, anemia e deficiência de vitaminas. Depois de passar por exames complementares, ela recebeu alta médica e foi acolhida por familiares, assim como a mãe. As duas devem receber acompanhamento médico, psicológico e psiquiátrico, além do suporte da assistência social para compreender as circunstâncias do isolamento e avaliar formas de retomar gradualmente o convívio social.

Durante a vistoria, a Vigilância Sanitária encontrou grande quantidade de materiais acumulados e condições precárias de higiene na residência, que precisou ser interditada. A situação levantou a suspeita de que a mãe possa apresentar transtorno de acumulação, caracterizado pela dificuldade persistente de descartar objetos. No entanto, ainda não há diagnóstico confirmado. Segundo Renata, a idosa dizia que a casa estava organizada, apesar das condições encontradas pelas equipes.

A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias que levaram a mulher a permanecer afastada do convívio social por tantos anos. Até o momento, não foram constatados indícios concretos de agressões físicas ou maus-tratos. Nesta terça-feira, 27, Renata e um investigador voltaram a visitar a mulher e levaram flores e chocolates como gesto de aproximação. Segundo a profissional, o encontro foi positivo: a mulher perguntou se poderia ser sua amiga, demonstrando abertura para construir uma relação de confiança com as pessoas que passaram a acompanhá-la.

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