Justiça nega absolvição e mantém prisão de quatro réus por morte de jovem em salto de rope jump

Decisão aponta tentativa de apagar provas, falta de medidas de segurança e risco de continuidade das atividades; julgamento começa em setembro
14/08/2026 às 09h03
 - Atualizado há 5 horas
Foto: Divulgação

A Justiça de São Paulo manteve a prisão dos quatro réus acusados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma prática de rope jump em Limeira. A jovem morreu em 13 de junho deste ano após ser arremessada de uma ponte sem o uso de cordas de segurança. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 12, pelo juiz Guilherme Lopes Alves Lamas, da 2ª Vara Criminal de Limeira, que também manteve a acusação por homicídio qualificado e marcou para 17 de setembro a primeira audiência de instrução e julgamento.

São réus no processo Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como organizadora do evento, e os instrutores Vitor de Freitas Gonçalves, Maicon Fernandes Cintra e Luis Felipe Feliciano Egoroff, que teriam realizado o salto. As defesas pediram a absolvição sumária e a liberdade dos acusados, alegando, entre outros pontos, que eles são primários, têm residência fixa, trabalham e possuem filhos menores. Os pedidos, porém, foram rejeitados. Na decisão, o juiz considerou a gravidade do caso e destacou que medidas alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica, não seriam suficientes.

A Justiça também apontou a conduta do grupo após a morte da jovem como um dos motivos para manter as prisões. Segundo a decisão, os réus teriam apagado o vídeo do salto e eliminado registros da atividade nas redes sociais, o que poderia prejudicar a investigação. O juiz mencionou ainda uma possível priorização de interesses econômicos, já que o grupo divulgava e comercializava práticas de rope jump sem uma empresa formalmente constituída e mantinha uma agenda de novos eventos. A decisão classificou a conduta como de “extrema indiferença à vida humana” e destacou a ausência de medidas adequadas de segurança.

O juiz também determinou o prosseguimento da investigação sobre o dinheiro arrecadado pelo grupo e deu prazo de 10 dias para que instituições financeiras encaminhem informações ao tribunal. A primeira audiência de instrução e julgamento está marcada para 17 de setembro de 2026, às 12h30. Até lá, a Justiça deverá aprofundar a produção de provas e ouvir testemunhas antes de uma eventual decisão sobre a responsabilidade dos acusados.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio