Consumo de livros cresce e atinge 18% da população adulta

Pesquisa nacional aponta avanço no número de leitores em 2025 e destaca força dos jovens e das redes sociais no Brasil
30/03/2026 às 15h06
 - Atualizado há 5 meses
Livros

O hábito de comprar livros ganhou força no país em 2025. Segundo levantamento da Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, 18% dos brasileiros com mais de 18 anos adquiriram ao menos um livro no último ano, um crescimento de 2 pontos percentuais em relação a 2024.

Na prática, isso representa cerca de 3 milhões de novos consumidores, um sinal positivo para o mercado editorial. Para a presidente da entidade, Sevani Matos, o avanço reforça a relevância do livro no cotidiano da população. “O crescimento mostra que o livro mantém sua importância e que ainda há espaço para expansão no setor”, afirmou.

Jovens impulsionam crescimento

O aumento foi puxado principalmente pelo público jovem. Na faixa entre 18 e 34 anos, o crescimento foi de 3,4 pontos percentuais, o maior entre todos os grupos analisados.

As redes sociais têm papel decisivo nesse movimento. Recomendações online, criadores de conteúdo e comunidades digitais vêm ampliando o acesso à leitura e aproximando novos leitores, especialmente os mais conectados.

Perfil do leitor

A pesquisa revela que as mulheres representam 61% dos consumidores de livros. Entre os recortes, mulheres negras da classe C lideram como o grupo que mais consome, correspondendo a 15% do total.

Outro destaque são os livros de colorir, que conquistaram espaço significativo: cerca de 11 milhões de adultos compraram ao menos um exemplar em 2025, o equivalente a 40% dos consumidores.

Além disso, títulos de ficção, especialmente do gênero jovem adulto (Young Adult), também tiveram forte impacto no crescimento.

Como os brasileiros compram

O digital segue em alta no processo de compra. Mais da metade dos consumidores (56%) afirma adquirir livros por meio das redes sociais.

Na última compra:

  • 80% optaram por livros impressos
  • 20% escolheram versões digitais

Já em relação aos canais, 53% compraram online, enquanto 47% ainda preferem lojas físicas.

Mesmo com o avanço do digital, as livrarias continuam relevantes. Para 53% dos leitores, esses espaços são associados a momentos de lazer, enquanto 46% os veem como locais de conexão com cultura e conhecimento.

Desafios ainda persistem

Apesar do crescimento, o estudo também aponta barreiras importantes. Entre os que não compraram livros em 2025, 28% afirmaram não ter acesso a livrarias ou pontos de venda próximos. Já 35% consideram os preços elevados.

Outro fator relevante é o consumo de conteúdos gratuitos: parte significativa dos entrevistados afirmou acessar livros digitais sem custo, muitas vezes por meio de PDFs, prática associada à pirataria.

Para Mariana Bueno, esse cenário revela um potencial ainda não explorado pelo mercado. “São pessoas que leem, mas não compram. Existe uma demanda reprimida que pode ser alcançada”, explicou.

Mercado em expansão

O levantamento, que ouviu 16 mil pessoas em outubro de 2025, reforça que o livro segue como um importante elemento cultural e de consumo no Brasil. “O livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas públicas é essencial para sustentar esse crescimento”, concluiu Sevani Matos.

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