
Padre condenado em Franca por abuso sexual é preso novamente após denúncia do mesmo crime em Praia Grande

O padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, foi preso temporariamente na noite de sexta-feira, dia 4, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, durante uma investigação sobre uma denúncia de estupro de vulnerável envolvendo uma jovem de 19 anos que atuava como coroinha. A prisão foi cumprida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), após decisão da 2ª Vara Criminal do município. A Justiça também determinou medidas de proteção e proibiu o religioso de se aproximar ou manter contato com as vítimas.
Segundo o boletim de ocorrência, a jovem e o namorado, de 18 anos, também coroinha, passaram a frequentar, há cerca de três meses, igrejas onde o padre celebrava missas. Ainda conforme o relato apresentado à polícia, os dois teriam sido convidados algumas vezes para a residência do religioso. Em uma dessas ocasiões, a jovem afirmou que houve uma situação de natureza sexual sem consentimento. O caso está sendo investigado e os detalhes do depoimento permanecem sob apuração.
A jovem também relatou à polícia que o padre teria oferecido presentes e ajuda financeira, incluindo apoio para a obtenção da CNH e para que ela montasse um salão de beleza. Segundo o depoimento, ele ainda teria sugerido que ela e o namorado morassem com ele. Jucelino administra a Casa Pime, instituição ligada ao Pontifício Instituto das Missões Exteriores, e também celebrava missas em comunidades religiosas de Praia Grande. Após a prisão, a Diocese de Santos informou que foi comunicada sobre o cumprimento do mandado e declarou confiar no trabalho da Justiça para o esclarecimento dos fatos.
O caso ganhou repercussão também porque o padre possui uma condenação anterior por abuso sexual contra uma criança. O crime aconteceu em 2006, em Franca, quando ele integrava o clero da Diocese de Santo Amaro, na capital paulista. A vítima tinha 10 anos e a condenação foi confirmada pela Justiça em 2009, com pena de 12 anos de prisão em regime fechado. Segundo a defesa, essa pena já foi integralmente cumprida. Os advogados também ressaltam que o processo atual é independente da condenação anterior e que os antecedentes não substituem a necessidade de provas sobre os fatos que estão sendo investigados agora.
A defesa de Jucelino entrou com pedido de habeas corpus para tentar revogar a prisão temporária e informou que também acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados afirmam que a prisão é uma medida cautelar e não representa condenação ou reconhecimento de culpa. Também sustentam que o enquadramento da denúncia como estupro de vulnerável depende de uma circunstância específica que ainda está sendo analisada. O caso tramita sob sigilo e continua em investigação.
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