Alta nas exportações de algodão perde força diante de tensões no Oriente Médio

Conflitos geopolíticos elevam custos, pressionam consumo global e podem frear desempenho brasileiro ao longo do ano
31/03/2026 às 15h55
 - Atualizado há 4 meses
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Após registrar crescimento de 4,5% nas exportações entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, o algodão brasileiro deve enfrentar um cenário mais desafiador nos próximos meses. A avaliação é do Rabobank, que aponta os impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio como fator de risco para o desempenho do setor.

Segundo o banco, o agravamento das relações envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tende a elevar os custos logísticos e aumentar a incerteza global, o que pode reduzir o consumo de fibras têxteis e, consequentemente, afetar os embarques brasileiros.

Mesmo antes da escalada do conflito, o mercado já não indicava uma expansão significativa da demanda pela pluma. Um dos sinais dessa desaceleração está no descompasso entre commodities: enquanto o petróleo acumula alta de cerca de 42% desde dezembro, o algodão teve valorização tímida de apenas 1% na bolsa de Nova York.

Tradicionalmente, a alta do petróleo encarece fibras sintéticas, como o poliéster, o que poderia favorecer o algodão. No entanto, esse movimento não tem sido suficiente para impulsionar a demanda. O Rabobank destaca que, apesar da valorização recente do poliéster, o consumo global segue pressionado por fatores macroeconômicos, como inflação e perda de poder de compra.

Outro ponto de atenção é a expectativa de aumento nos estoques globais ao fim da safra 2025/26, com crescimento estimado de 4%. Esse cenário tende a pressionar ainda mais os preços internacionais da pluma, limitando o potencial de valorização do produto brasileiro.

Diante desse contexto, o setor algodoeiro deve enfrentar um ano de cautela, equilibrando bons resultados recentes com um ambiente externo cada vez mais instável.

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