
Café sofre forte correção nos preços com real mais fraco e clima favorável à safra

Os mercados de café registraram fortes baixas nesta quarta-feira (28), em meio a um cenário de menor pressão climática sobre as lavouras brasileiras, leve alta do dólar e movimento de liquidação de posições compradas nos contratos futuros. A combinação de fatores reduziu a pressão compradora e acentuou as quedas nas Bolsas internacionais e no mercado interno.
Queda nos contratos internacionais
Na Bolsa de Nova York, os preços fecharam em forte queda:
- Março/26: 351,00 cents/lbp, recuo de 1.625 pontos
- Maio/26: 334,30 cents/lbp, baixa de 1.240 pontos
- Julho/26: 327,00 cents/lbp, desvalorização de 1.185 pontos
Já no mercado de robusta, os contratos também caíram:
- Março/26: US$ 4.145/tonelada (baixa de US$ 130)
- Maio/26: US$ 4.073/tonelada (queda de US$ 119)
- Julho/26: US$ 3.984/tonelada (perda de US$ 116)
Segundo dados compilados pelo Barchart, a desvalorização do real diante do dólar tem estimulado expectativas de exportações brasileiras, ajudando a derrubar parte da pressão compradora. Apesar disso, movimentos de correção dominam o mercado.
Clima mais favorável impulsiona safra
Informações de instituições de pesquisa agrícola indicam que as condições climáticas no Brasil estão melhores do que no ano anterior, com chuvas volumosas recentemente registradas em grande parte das regiões produtoras de café arábica. Esse alívio hídrico tem beneficiado o enchimento de grãos justamente na fase decisiva de desenvolvimento da safra 2026, reduzindo preocupações imediatas com perdas.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avalia que, até que haja estimativas mais precisas sobre os volumes finais de produção, a volatilidade dos preços tende a permanecer elevada.
Cenário interno e produção
No mercado doméstico brasileiro, os preços seguiram o movimento de queda da Bolsa de Nova York:
- Arábica Tipo 6:
- Guaxupé/MG: queda de 3,10% a R$ 2.189/saca
- Machado/MG: baixa de 4,57% a R$ 2.090/saca
- Varginha/MG: recuo de 6,11% a R$ 2.150/saca
- Cereja Descascado:
- Varginha/MG: queda de 5,91% a R$ 2.230/saca
- Campos Gerais/MG: baixa de 3,97% a R$ 2.175/saca
Ainda de acordo com a consultoria Safras & Mercado, as vendas antecipadas da safra 2026/27 continuam aquém da média histórica: cerca de 8% do potencial produtivo, contra 9% em igual período do ano passado e média de 17% nos últimos anos. A razão, segundo o consultor Gil Barabach, é que os preços futuros permanecem menores que os valores físicos imediatos, o que desestimula a comercialização antecipada pelo produtor.
Perspectivas
Com clima atualmente mais favorável e perspectivas de maior produção de arábica em 2026 em comparação a 2025, os mercados continuam em alerta, enquanto operadores e produtores monitoram o desenvolvimento da safra e a reação do câmbio. Até que exista maior clareza sobre os volumes finais de colheita, a volatilidade de preços deverá permanecer um traço marcante no mercado do café.
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