Setor cultural atinge marca histórica e revela contrastes no mercado de trabalho brasileiro

Levantamento do IBGE mostra avanços, desigualdades e números recordes no emprego cultural, Franca acompanha tendência nacional
12/12/2025 às 16h16
 - Atualizado há 9 meses

O setor cultural brasileiro vive um momento de expansão. Em 2024, 5,9 milhões de pessoas trabalharam em atividades culturais no país, o maior volume desde o início da série histórica, em 2014. O dado, divulgado nesta sexta-feira (12) pelo Sistema de Informações e Indicadores Culturais (2013-2024) do IBGE, reforça o peso cada vez maior das profissões criativas na economia nacional.

Apesar da leve oscilação dos últimos anos, a área manteve a representatividade de 5,8% do total de ocupados, repetindo o maior patamar da série. Os números refletem a vitalidade do mercado de trabalho brasileiro e a relevância crescente da produção cultural no cotidiano da população.

Além do aumento no volume de profissionais, o levantamento mostra que quem trabalha com cultura apresenta maior escolaridade: em 2024, 30,1% tinham ensino superior completo, contra 23,4% no conjunto geral dos trabalhadores.

O estudo também destaca diferenças regionais. São Paulo (7,6%), Rio de Janeiro (7%) e Ceará (7%) foram as unidades da Federação com as maiores proporções de trabalhadores na cultura. Entre as capitais, Florianópolis (10,7%), São Paulo (10,1%) e Manaus (9,4%) lideraram o ranking. Na outra ponta, Acre (2,7%), Amapá (2,8%) e Rondônia (2%) apresentaram as menores taxas de ocupação no setor.

Apesar da alta escolaridade, a área cultural registra um dos maiores índices de informalidade do país: 44,6% dos profissionais, acima dos 40,6% do conjunto da economia. Em estados como Roraima (76,9%), Pará (74,1%) e Tocantins (71,5%)**, a informalidade ultrapassa dois terços dos trabalhadores; já em Santa Catarina (30%) e Rio Grande do Sul (32,6%), os índices são os mais baixos.

O trabalho por conta própria é a principal forma de atuação no segmento: 43% dos profissionais trabalham dessa maneira. Em seguida aparecem os empregados com carteira assinada (34,4%) e sem carteira (14,3%).

Na renda, o estudo revela oscilações importantes. O rendimento médio dos profissionais da cultura foi de R$ 3.266 em 2024, queda real de 2% em relação ao ano anterior, enquanto a média do mercado geral cresceu 3,5%, chegando a R$ 3.108. Assim, a diferença salarial entre os dois grupos caiu de 11% para 5,1% a favor da cultura.

Regionalmente, o rendimento cultural caiu nas regiões Norte (-9,1%), Sudeste (-4,7%) e Centro-Oeste (-2,2%), mas aumentou de forma significativa no Nordeste (11,4%) e no Sul (11,2%).

A pesquisa também evidencia a persistência da desigualdade de gênero: mulheres que atuam na cultura receberam, em média, R$ 2.560, enquanto os homens ganharam R$ 3.898,  diferença de aproximadamente 34%, maior do que a verificada no conjunto da economia (22%).

Os dados reforçam a força do setor cultural no país, ao mesmo tempo em que revelam desafios estruturais, especialmente na informalidade, na desigualdade de gênero e na estabilização dos rendimentos,  pontos essenciais para orientar políticas públicas e investimentos nos próximos anos.

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