
Suspeito de matar agiota é preso no dia em que vítima completaria 21 anos, em Franca

A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira, 5, o homem suspeito de ter matado o agiota Itamar Cardoso, de 20 anos, em Franca (SP). O crime aconteceu em abril, no Jardim Panorama, na região Leste da cidade. Itamar foi assassinado com vários golpes de faca e, ironicamente, completaria 21 anos nesta quinta-feira.
O preso é David Wesley Ferreira, de 25 anos. Segundo a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ele chegou a se apresentar dias após o crime, mas desapareceu após a Justiça decretar sua prisão. Desde então, estava foragido, escondido em uma área de lazer no Parque do Horto, na Zona Norte.
Dois adolescentes, de 17 anos, que também participaram do crime, já haviam sido internados na Fundação Casa.
Em depoimento, David disse que conhecia Itamar há cerca de um ano e que havia recorrido a ele por empréstimos, devido a dificuldades financeiras. Segundo o relato, Itamar cobrava juros abusivos – até 100% a cada quinze dias. Uma dívida de R$ 400, contraída em fevereiro, teria ultrapassado os R$ 3 mil em abril. David também relatou que vinha sofrendo ameaças contra sua família.
No dia 16 de abril, dia do crime, Itamar teria ido até a casa do suspeito para cobrar a dívida. Com medo, David escondeu uma faca na manga da blusa. Já dentro do carro, após uma discussão, Itamar teria o ferido com um canivete no joelho. Foi nesse momento, segundo David, que ele reagiu e golpeou o pescoço de Itamar.
Testemunhas e câmeras de segurança mostraram que a vítima chegou a jogar a faca na calçada, tentando se defender. Mesmo assim, foi arrastada para fora do carro. David contou ainda que pediu para um dos menores envolvidos pegar a faca e terminar de matá-lo.
Após o assassinato, David fugiu usando o carro da vítima, que foi abandonado em uma área de mata na mesma região. Ele afirmou que não teve a intenção de roubar o veículo, mas apenas queria escapar. Também negou que o crime tenha sido premeditado.
Itamar morava com os pais, a poucos metros do local do crime. A família confirmou que ele costumava emprestar dinheiro a juros e já havia sido aconselhado a parar com a prática.

A defesa de David foi procurada pela reportagem, mas informou que não irá se pronunciar sobre o caso.
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