
Jovem que morreu assassinado em Franca emprestava dinheiro que conseguiu em jogos online

Será sepultado nesta sexta-feira, 18, às 15h, no Cemitério Santo Agostinho, o corpo de Itamar da Silva Cardoso, de apenas 20 anos. O velório acontece no Memorial Nova Franca e está aberto ao público.
Itamar foi morto de forma brutal após cair em uma emboscada armada por pessoas que, segundo a família, deviam dinheiro a ele. O jovem atuava como agiota, emprestando quantias a conhecidos, e foi assassinado com vários golpes de faca dentro do próprio carro, em uma rua do bairro onde morava com os pais.
O crime foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram Itamar parado no carro, quando dois homens se aproximam e entram no veículo. Em poucos segundos, o ataque começa. Além dos dois homens, Itamar estava acompanhado de outra pessoa no carro. Um dos envolvidos chega a fugir assustado. A dupla retira Itamar do carro e continua esfaqueando o jovem no meio da rua. Eles fogem em seguida, levando o automóvel e objetos da vítima.
O carro foi localizado horas depois, abandonado em uma área de mata. Segundo o pai, os criminosos sabiam exatamente o que estavam procurando.
“Levaram R$ 12 mil que ele guardava embaixo do banco, a bolsa dele, os documentos, o celular, as anotações… até uma caixinha de bombons que ele sempre deixava no carro”, contou Ismael Cardoso.
O pai, ainda muito abalado, prestou depoimento à Polícia Civil e não esconde a dor e a revolta com a maneira como perdeu o filho.
“Meu filho era uma criança. Vocês precisam ver a ingenuidade dele. Um moleque de Deus. Se ele fosse ruim, eu dizia. Mas não… ele era maravilhoso”, desabafa.
Segundo Ismael, Itamar começou a emprestar dinheiro há pouco mais de um ano, para amigos próximos, depois de ganhar uma quantia em um jogo virtual. O objetivo era juntar um lucro extra para pagar contas e manter o próprio carro.
“Ele só saía de casa quando alguém ligava pedindo dinheiro. E dessa vez, ele só ia receber. Já tinham combinado essa crueldade com ele. Chamaram, marcaram e mataram. Sabiam que ele andava com dinheiro no carro.”
Pouco antes de sair, Itamar comentou com o pai sobre a conversa que teve com um dos devedores.
“Esse cara que ligou, falou que não ia pagar. Ele ficou nervoso, falou: ‘Eu tenho conta pra pagar, agora você diz que não vai dar?’ Depois ligaram de novo dizendo que tinham conseguido o valor… foi quando chamaram ele pra lá. Já estavam esperando.”
A Polícia Civil recolheu digitais no carro e analisa as imagens das câmeras de segurança. O pai afirma que há suspeitos e que já recebeu informações de pessoas que conheciam quem devia ao filho.
“Tem gente mandando fotos de quem devia pra ele. Espero justiça. Se não for da Terra, que seja do céu.”
Ismael está com mobilidade reduzida e dependia de Itamar para o dia a dia.
“Eu vou ficar até o final do ano sem poder trabalhar. Ele era meus pés e minhas mãos. E agora? O que vou fazer sem meu filho?”
O caso foi registrado como latrocínio — roubo seguido de morte. Itamar costumava carregar grandes quantias em dinheiro no carro, o que pode ter motivado o crime. A polícia segue investigando e não descarta prender os envolvidos nos próximos dias.
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