Policial que matou cabeleireiro com dois tiros no meio da rua é expulso da PM cinco anos após o crime

Tiago Morais Lopes foi desligado oficialmente da corporação após processo disciplinar da Corregedoria. Crime aconteceu em Franca, em 2020. Júri que o absolveu foi anulado e um novo julgamento será marcado
25/06/2025 às 09h52
 - Atualizado há 1 ano
Montagem com duas imagens lado a lado. À esquerda, um homem jovem com óculos, barba rala e cabelo curto faz uma selfie em frente ao espelho. Ele veste uma jaqueta camuflada e uma camisa verde do Palmeiras. Está sorrindo e fazendo sinal de positivo com a mão esquerda. À direita, o mesmo homem aparece com visual diferente, mais magro, com cabelo raspado e sem óculos, sentado em uma cadeira azul dentro de uma sala de audiência. Ele está cabisbaixo, com expressão séria, usando uma blusa cinza com capuz.
À esquerda, Matheus Gustavo, cabeleireiro morto a tiros em Franca; à direita, o ex-policial Tiago Morais Lopes durante audiência no Tribunal do Júri — Foto: Reprodução

Cinco anos após o assassinato do cabeleireiro Matheus Gustavo da Silva, de 25 anos, o ex-policial militar Tiago Morais Lopes foi oficialmente expulso da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A decisão foi publicada em março deste ano no Diário Oficial e marca a primeira punição administrativa imposta ao ex-PM desde o crime ocorrido em julho de 2020, em Franca.

A medida foi resultado de um processo disciplinar conduzido pela Corregedoria da corporação, que considerou a conduta de Tiago incompatível com o cargo de policial militar.

Crime flagrado por câmeras

O caso ganhou repercussão na época por conta das imagens de câmeras de segurança, que mostraram Tiago perseguindo Matheus após uma discussão e atirando mesmo quando já não havia mais ameaça. O crime ocorreu em plena via pública, na zona leste da cidade.

Júri anulado

Em junho de 2024, Tiago chegou a ser absolvido em julgamento pelo Tribunal do Júri. No entanto, a decisão foi anulada após recurso da família da vítima e da Procuradoria. O Tribunal de Justiça entendeu que o júri ignorou provas que apontavam para homicídio doloso, quando há intenção de matar, e não legítima defesa, como havia sustentado a defesa.

Desde então, Tiago responde ao processo em liberdade. A Justiça ainda não marcou a nova data do julgamento, mas os recursos apresentados pela defesa para manter a absolvição têm sido rejeitados.

Família vê a decisão como um passo

A mãe do cabeleireiro, Simone da Silva, comentou que esta é a primeira punição concreta sofrida pelo ex-PM desde a morte de seu filho. Para ela, a expulsão representa um reconhecimento da gravidade do ato por parte da própria corporação.

“É um passo importante, mas ainda não é justiça completa. Ele matou meu filho com frieza, e agora espero que o novo julgamento seja justo e leve em conta as provas que existem”, disse.

Tentamos contato

A equipe de reportagem tenta contato com a advogada de Tiago, Raquel Andruccioli, mas até a publicação desta matéria ela não atendeu às ligações e nem respondeu às mensagens.

A defesa segue tentando evitar um novo júri, mas os tribunais têm mantido a decisão de anulação.

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