Voepass demite quase toda equipe de solo após suspensão da ANAC

Companhia aérea enfrenta reestruturação financeira após acidente que matou 62 pessoas em 2024
15/04/2025 às 14h15
 - Atualizado há 1 ano
📸 Divulgação/Voepass

A Voepass Linhas Aéreas anunciou, nesta segunda-feira, 14, a demissão em massa de funcionários que atuavam em solo nos aeroportos onde a empresa operava. A medida drástica atinge setores como check-in, despacho técnico e manutenção de linha. Comissários de bordo também foram afetados — dos que estavam em atividade, apenas quatro permaneceram na empresa.

O corte acontece pouco mais de um mês após a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) suspender todas as operações da companhia, alegando “quebra de confiança” e falhas nos processos internos. A decisão foi tomada após a tragédia ocorrida em agosto de 2024, quando o voo 2283 caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, matando 62 pessoas.

Segundo comunicado oficial da companhia, os desligamentos fazem parte de um plano de “reestruturação financeira”. A empresa afirmou que ajuizou um pedido de tutela preparatória em fevereiro deste ano, como tentativa de conter o impacto financeiro da paralisação das operações. “A interrupção dos voos provocou um impacto direto no caixa da companhia”, diz a nota.

📸 Divulgação/Voepass

Ainda não foi revelado o número exato de trabalhadores afetados, mas fontes internas relatam que a medida atinge “quase todo o quadro” de solo fora de Ribeirão Preto, cidade-sede da companhia.

A empresa, que já foi considerada estratégica para a aviação regional brasileira, operava com seis aeronaves e atendia 17 destinos antes da suspensão.

A Voepass, formada pela fusão entre a Passaredo Transportes Aéreos e a MAP Linhas Aéreas, afirma que está empenhada em retomar o Certificado de Operador Aéreo (COA), exigido pela ANAC para operar voos comerciais. “Estamos tomando todas as medidas para demonstrar nossa capacidade operacional e voltar a conectar o interior do Brasil aos grandes centros”, declarou José Luiz Felício Filho, presidente da companhia, em carta aos funcionários.

Apesar das dificuldades, a empresa reforça seu compromisso com a preservação de empregos e com a segurança dos passageiros. “Mesmo diante de todos os desafios, seguimos buscando soluções que permitam a continuidade da Voepass, respeitando nossa história de 30 anos na aviação nacional”, conclui a nota.

Enquanto a ANAC analisa os dados fornecidos pela empresa, não há previsão para o retorno das operações.

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