
Fraude bilionária na Americanas: investigação apura envolvimento de funcionários de grandes bancos

O escândalo financeiro envolvendo o Grupo Americanas ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 31. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 ex-executivos da varejista por fraudes que somam cerca de R$ 25 bilhões. O esquema teria manipulado balanços financeiros para inflar o valor de mercado da companhia e prejudicar investidores e credores. Paralelamente, a Polícia Federal (PF) abriu uma nova linha de investigação para apurar se funcionários de grandes bancos participaram do esquema contábil fraudulento.


A peça de acusação aponta Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, como o líder da suposta organização criminosa. Ele teria coordenado a manipulação dos balanços para esconder déficits bilionários e, assim, manter a empresa atrativa no mercado. Além de Gutierrez, a denúncia inclui outros ex-executivos, como Anna Saicali (ex-CEO da B2W), Timotheo Barros e Marcio Cruz (ex-vice-presidentes), além de outros diretores da varejista.


A investigação também identificou trocas de mensagens entre os envolvidos, nas quais discutiam estratégias para ocultar as fraudes de auditorias externas. Três dos denunciados fecharam acordos de delação premiada e confirmaram que as fraudes ocorreram com conhecimento da cúpula da Americanas.
Envolvimento de bancos sob investigação
Além da denúncia contra os ex-executivos, a PF passa a investigar possíveis participações de funcionários do Itaú e do Santander no esquema. Segundos as investigações, a manipulação contábil ocorria principalmente por meio da omissão de informações sobre a operação conhecida como “risco sacado” — uma modalidade de crédito usada para pagar fornecedores. Mensagens trocadas entre ex-diretores da Americanas indicam que alguns funcionários de bancos teriam sido cooptados para ocultar essas operações dos relatórios auditados.

Em delação premiada, Fabio Abrate, ex-diretor financeiro da Americanas, afirmou que, sem a anuência de alguns bancários, as fraudes não teriam sido possíveis. As mensagens obtidas pela PF mostram que os ex-diretores negociavam ajustes nos documentos enviados a auditores externos para impedir que as irregularidades fossem descobertas.
Os bancos, por sua vez, negam qualquer envolvimento no caso. O Itaú Unibanco afirmou, por meio de nota, que sempre prestou informações corretas às auditorias e que rejeitou pedidos da Americanas para alterar relatórios financeiros. O Santander declarou que também foi vítima das fraudes e que seguiu as normas regulatórias ao fornecer dados ao mercado.
O impacto financeiro e os desdobramentos
O rombo bilionário foi revelado em janeiro de 2023, quando a Americanas admitiu inconsistências em seu balanço financeiro. A notícia fez com que as ações da empresa despencassem, acumulando uma perda de mais de R$ 70 bilhões em valor de mercado. Dias depois, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial, reconhecendo uma dívida superior a R$ 50 bilhões, sendo que R$ 89 milhões correspondem a passivos trabalhistas.

O plano de recuperação judicial foi homologado em fevereiro de 2024, prevendo a injeção de R$ 12 bilhões pelos três principais acionistas do grupo — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — além de um aporte equivalente por parte dos bancos credores.
Com as novas investigações, a crise da Americanas pode ter novos desdobramentos. Caso se comprove a participação de funcionários dos bancos, a responsabilidade sobre as fraudes pode se estender para o setor financeiro, ampliando o impacto da crise no mercado.
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