
Especialista desvenda mitos da amamentação
A chegada de uma criança é algo mágico e maravilhoso e traz um mundo novo de rotinas e cuidados especiais com o bebê. Para os pais de primeira viagem a adaptação pode ser ainda mais complexa. Entender as necessidades da criança e a importância do aleitamento materno é um dos principais pontos que devem receber a atenção dos pais. Mas não é necessário se desesperar, com a devida orientação e acompanhamento de um bom profissional é possível se preparar para o aleitamento, curtindo esse momento ao máximo.
Em primeiro lugar, é preciso compreender as mudanças que ocorrem no corpo da mãe, antes e depois do parto. Em um tempo de descobertas, a transformação, principalmente dos seios, é comum e deve ser tratada com naturalidade. Algumas ações podem ajudar a trazer mais conforto para a mãe, como a escolha correta do sutiã com alças largas e proporcional ao aumento progressivo das mamas.
Após o nascimento, o corpo da mãe passa por uma readequação, com sangramentos e um maior aumento das mamas. Nesse período, a mãe deve estar atenta à dieta e praticar exercícios leves assim que for liberada pelo obstetra. O repouso também é muito importante, pois a amamentação feita sobre livre demanda, ou seja, sempre que o bebê necessitar altera o horário de sono da mãe e pode causar cansaço.
Todas Podem Amamentar
Um mito muito comum durante a amamentação é com relação ao tamanho do peito. “Toda a mulher, independente do volume das mamas, produz o leite necessário para seu filho”, afirma dr. Corintio Mariani Neto, obstetra e secretário-geral da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP).
O especialista explica que a produção do leite ocorre por hormônios atuantes no cérebro da mãe e pelo estímulo contínuo da sucção do bebê. Quanto mais a criança mamar, mais leite será produzido pelo organismo da mãe.
Mitos
O corpo da mulher se modifica naturalmente para a amamentação, e alguns mitos podem prejudicar esse processo de preparação. Um mito comum é o de esfregar o mamilo com buchas ou toalhas para aumentar a resistência da pele. Além de não ter efeito, essa ação ainda pode agredir a pele, causando uma lesão. De acordo com o obstetra, o ideal é que a mulher procure um profissional capacitado que lhe ensinará todas as técnicas para tornar a amamentação confortável e prazerosa para mãe e filho.
O médico aproveita para dar uma dica às mães “Se a mulher tiver condições, ela pode expor o mamilo ao sol da manhã, no máximo até às 10h ou no final da tarde. É saudável para pele e ainda ajuda na produção de vitamina D”.
A Primeira Hora de Vida
Muitas maternidades no Brasil sem o título Hospital Amigo da Criança, ainda não aderiram ao aleitamento materno iniciado nos primeiros instantes após o parto. A amamentação na primeira hora de vida, recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), diminui as chances de adoecimento da criança e menor incidência de câncer de ovário e mama na mãe.
Ao se deparar com dúvidas e complicações, os pais deve procurar um pediatra ou profissional qualificado, presente principalmente nos Bancos de Leite Humano (BLH).
O papel deste profissional é garantir que a amamentação seja feita da forma correta com todo apoio dos familiares para diminuir as chances da descontinuidade do aleitamento. No Brasil apenas 6% das mulheres mantêm o aleitamento até os seis meses. Muitas vezes por falta de conhecimento, seja da importância do leite materno ou do procedimento para a amamentação.
“É importantíssimo que o médico tome a inciativa de explicar para a gestante as vantagens do aleitamento materno e esclareça os benefícios para a saúde dela, e principalmente do bebê.” aponta o dr. Mariani.
Ele alega que algumas mulheres têm vontade de amamentar, mas por desconhecimento ou por má orientação deixam de praticá-la. Isso ocorre frequentemente entre adolescentes, por causa do forte apelo com a estética e o medo de ficar com as mamas caídas, o que não é conseqüência da amamentação.
Além de todo o aparato médico, as mães têm à sua disposição manuais de orientação no site do Ministério da Saúde, da OMS e pode tirar dúvidas no Canal Saúde da Mulher, no site da SOGESP (https://www.sogesp.com.br/canal-saude-mulher).
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