Pesquisa aponta que falta mão de obra para o setor calçadista em Franca

Recente levantamento realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) colocou a falta de mão de obra qualificada como o quarto principal problema para o setor, através apenas da alta carga tributária, da instabilidade cambial
08/08/2014 às 00h00
 - Atualizado há 12 anos

Recente levantamento realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) colocou a falta de mão de obra qualificada como o quarto principal problema para o setor, através apenas da alta carga tributária, da instabilidade cambial e da legislação trabalhista. O apontamento é reflexo de um problema sentido pela indústria brasileira. Conforme pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 65% dos empresários ouvidos pela entidade revelaram problemas com a falta de qualificação dos seus trabalhadores.

Pesquisa aponta que falta mão de obra para o setor calçadista em Franca / Foto: Abicalçados

No setor calçadista, os principais gargalos estão nas áreas de pespontador de calçados, confeccionador de calçados e montador de calçados. Já os pólos mais carentes de mão de obra são o de Nova Serrana, Bahia e Franca. Os números estão em consulta realizada pela Abicalçados com seus associados.

Flexibilização

Para o presidente-executivo da entidade calçadista, Heitor Klein, além da necessidade urgente de formação de mão de obra qualificada, é imperiosa a aprovação da flexibilização da jornada de trabalho já entregue ao Governo Federal. Uma das medidas previstas é permitir a redução da jornada de trabalho com a redução salarial equivalente.

A diferença no ordenado seria paga pelo governo com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhar (FAT). “É uma solução inteligente para as empresas e para o Governo, que, em tempos de urgentes ajustes nas contas públicas, iria economizar nas crescentes despesas seguro desemprego e também evitaria os constantes saques nas contas do FGTS”, avalia o dirigente. Já para as indústrias, o benefício estaria na manutenção das equipes, já que em períodos de desaquecimento, como o atual, muitas precisam recorrer às demissões. “Depois o momento econômico melhora e precisamos recontratar. Aí, onde está o trabalhador? Foi para outro setor. A indústria acaba tendo que arcar com mais custos e tempo para a formação da mão de obra”, continua.

Segundo o dirigente, a indústria calçadista vem mantendo a média de 1% de queda nos postos de trabalho gerados nos últimos meses. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego no setor coureiro-calçadista encolheu 7,7% entre janeiro e maio deste ano. “Infelizmente, a tendência é a continuidade desse quadro até o final deste ano”, avisa o executivo.

Rotatividade

Klein ressalta, ainda, que o setor calçadista, por ser intensivo em mão de obra, é um dos que mais sofre com a alta rotatividade dos trabalhadores brasileiros. Conforme o próprio governo, a cada ano 40% dos empregados com carteira assinada trocam de trabalho. “O seguro desemprego acaba servindo, inclusive, como um estímulo para a rotatividade e até para a informalidade”, comenta o executivo. Conforme dados oficiais, o total de benefícios pagos aos trabalhadores cresceu de R$ 6,4 bilhões para R$ 28,5 bilhões entre 2003 e 2013, um aumento de 345%.

Fonte: Abicalçados

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