
Violinista francana é exemplo para crianças em projeto musical
O amor pela música costuma ser um sentimento muito forte e que move a vida de muitas pessoas. É uma emoção já conhecida. Mas o que é menos usual é essa paixão ser um sentimento que inspira outros ao redor e oferece uma possibilidade de futuro para muitas crianças que não sabem para onde caminhar.
Suellen há muitos anos / Foto: Assessoria Claudinei da Rocha
Esse é o caso da violinista Suellen Lima de Oliveira, que, atualmente, com apenas 20 anos, compartilha seu dom com várias crianças do projeto “Brincando com a música”, que acontece no bairro Aeroporto III, em Franca.
Em seu caso, a música não surgiu como uma paixão, mas acabou se tornando uma. “Eu comecei bem nova. Eu tinha entre seis e sete anos. Meus pais já tocavam, eles foram alunos do David Cardoso, que é professor do projeto hoje. (…) No começo, eu era muito pequena ainda, não foi bem uma escolha, mas eu aprendi a gostar. Minha mãe escolheu o violino para eu começar a tocar e eu realmente me apaixonei pelo instrumento com o tempo”, conta. Ela ainda lembra que a opção dos pais foi por um instrumento diferente do deles, já que o pai tocava trompete e a mãe, flauta transversal.
Mas Suellen explica facilmente os motivos pelos quais acabou gostando do instrumento. “Eu acho o violino um instrumento muito sensível. A maioria é assim, mas eu acho que ele é muito delicado, porque ele absorve tudo o que você sente. Ele é muito expressivo. Geralmente, a gente acha que o violino é instrumento que faz chorar, que provoca emoções. Me apaixonei por esse lado dele”, ressalta.
Os anos seguintes, de muito estudo e dedicação, levaram Suellen ao brilhante presente que constrói. Ela está no 3º ano de licenciatura em música pela Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, onde participa da filarmônica desde 2012. Antes de entrar na universidade, ela já participou de inúmeros projetos em sua cidade natal. “Comecei aqui mesmo na igreja, onde eu toquei por um tempo. Depois foi no projeto Guri e no Brincando com a Música. Aí eu entrei na orquestra sinfônica de Franca, fiz vários concertos com ela. Também com a orquestra Jovem de Franca. Depois eu fui para a faculdade e na orquestra de lá também já toquei bastante”, explica, sem saber dizer de quantas apresentações já participou. Quando tem a oportunidade, ainda faz algumas apresentações com a Orquestra de Franca, já que é sempre convidada. “O Maestro me convida e sempre que eu posso, eu aceito”, afirma.
Apesar de já não morar mais em Franca, a jovem sempre volta à cidade para inspirar a dezenas de crianças no projeto “Brincando com a música”, do qual faz parte há muito tempo. “Eu dou aula no ‘Brincando’ desde que ele começou. Já faz uns sete anos, mais ou menos. Já dei aula de teoria, agora dou aula de instrumento. Mas também já tomei conta da orquestra, além de dar aulas particulares”, relata.
Como professora de violino, Suellen explica que é preciso aceitar e trabalhar com as facilidades e dificuldades particulares de cada aluno. “Cada pessoa tem uma dificuldade. Aprender música é aprender outra linguagem. É como se você estivesse aprendendo outra língua, realmente. São sinais diferentes, que você vai ter que aprender a associar e ler, depois se encontrar em um instrumento… Muitas vezes, no caso do violino, uma das dificuldades é a postura, como segurar o instrumento, que tem uma série de regrinhas. Talvez seja a maior dificuldade e na leitura musical”, ensina. Para sua tristeza, ela diz que é muito normal as pessoas desistirem, já que é necessária muita dedicação e persistência.
Assista Suellen tocando:
Mesmo que não saiba, ao certo, quais serão seus próximos passos, Suellen garante que seu futuro está na música. “Eu estou em um momento de decisão. Estou um pouco confusa ainda. Eu termino a minha graduação o ano que vem e eu tenho vontade ou de seguir essa carreira de educação musical mesmo, talvez um mestrado… Eu ainda estou no meio do caminho, mas quero continuar estudando. A minha vida gira em torno disso, não tem como”, finaliza.
Suellen feliz por ensinar as crianças do projeto / Foto: Assessoria Claudinei da Rocha
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