
Justiça faz vistoria no escritório de advogado que ofereceu emprego a Dirceu
Funcionários da Vara de Execuções Penais (VEP) fizeram nessa segunda-feira uma vistoria no escritório do advogado criminalista José Gerardo Grossi, que ofereceu trabalho para o ex-ministro José Dirceu. O objetivo da visita foi verificar se a empresa tem condições de receber diariamente o petista, que cumpre pena após a condenação no julgamento do mensalão, e se, de fato, precisa da atuação dele. O parecer da equipe será enviado ao Ministério Público ainda esta semana e, em seguida, o juiz da VEP, Bruno Ribeiro, decidirá se autoriza Dirceu a trabalhar. A expectativa é que isso ocorra em até uma semana.
Na visita, o analista judiciário e psicólogo Vicente Moragas e o assistente social Alexandre Pereira observaram todas as salas do escritório, conversaram por cerca de meia hora com Gerardo Grossi e solicitaram documentos da empresa, como cópia dos contracheques de funcionários. Questionados pelo Estado de Minas, eles não quiseram adiantar a percepção que tiveram sobre o local.
Grossi já defendeu figuras conhecidos na política brasileira, como os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda e Joaquim Roriz e a mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça. Se for permitido, o ex-ministro será contratado como auxiliar administrativo do escritório, com salário de R$ 2,1 mil. O local fica no 9º andar de um prédio do Setor Bancário Sul, em Brasília. A sala em que Dirceu deve ficar é ampla, com piso de madeira e uma janela grande, que permite uma visão quase completa do Banco Central. “Ele vai ajudar nos assuntos administrativos e, eventualmente, organizar a biblioteca”, relata o empregador do petista. “O lugar estava ruim, contratei uma bibliotecária, ela ficou seis meses aqui e deixou caótico.” O pedido para que Dirceu trabalhasse no escritório de Grossi foi feito oficialmente à Justiça em 19 de dezembro. De lá para cá, Grossi já participou de uma palestra com funcionários e juízes sobre as regras e os procedimentos para receber um detento em sua empresa. “Somos amigos há muitos anos, nunca precisamos pedir algo um ao outro e fiz a oferta a ele não só pela amizade, mas porque precisava mesmo de alguém a mais trabalhando comigo”, relata o criminalista. De acordo com o advogado criminalista e professor de direito processual penal do UniCeub Cléber Lopes de Oliveira, entre o pedido de liberação para o preso trabalhar e a decisão do juiz costuma levar de 15 a 20 dias para que o parecer seja analisado pelo Ministério Público e pela VEP. O advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira Lima, diz acreditar na liberação ágil, já que os dados e documentos do ex-ministro já haviam sido verificados em novembro, quando ele fez o primeiro pedido. “Apenas espero que ele receba o mesmo tratamento que os demais e que seja o mais rápido possível”, afirma. Outros quatro condenados no mensalão pediram autorização para trabalhar e três já começaram a exercer a atividade durante o dia (veja quadro abaixo). O petista havia solicitado em novembro autorização para trabalhar como gerente administrativo do Saint Peter Hotel, em Brasília, onde teria um salário de R$ 20 mil. Mas desistiu da proposta “tendo em vista o linchamento midiático instalado contra José Dirceu”, segundo sua defesa. Na época, vieram à tona denúncias apontando que um auxiliar de escritório era laranja da empresa do Panamá que administra o hotel. Mesmo que seja autorizado a trabalhar no escritório de Grossi, Dirceu ainda poderá ter sua rotina e o trabalho modificados. Ele cumpre pena em regime semiaberto por ter sido condenado a sete anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa. Mas o ex-ministro ainda aguarda o julgamento de embargos infringentes em que questiona a condenação por formação de quadrilha. Se o recurso for recusado, a pena total do ex-ministro poderá chegar a 10 anos e 10 meses, em regime fechado.Dinheiro para multaO valor excedente da arrecadação feita pela família do ex-deputado federal José Genoino (PT-SP) para pagamento da multa imposta ao petista pela condenação no mensalão deve ser usado para ajudar a saldar a dívida de outros petistas punidos no julgamento na Ação Penal 470. É o que indica a mulher e os filhos do ex-parlamentar em texto de agradecimento publicado na noite de segunda-feira no site criado para receber doações. Entre os possíveis beneficiados com o repasse está o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que passou ontem por exame médico admissional para concluir sua contratação pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Segundo o site, a arrecadação chegou a R$ 761.962, 60. A multa de Genoino foi de R$ 667.513,92. Ontem, a defesa do ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas pediu à Justiça o parcelamento da multa de R$ 370 mil em 180 vezes, o que corresponde a 15 anos.A situação de cada umPedro HenryFoi o primeiro preso do grupo autorizado a trabalhar. Desde o dia 9, ele é diretor administrativo do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, com salário de R$ 7,5 mil, e pediu para ter também atividade no IML, aos domingos, mas ainda não obteve resposta da JustiçaRomeu QueirozDepois de ser transferido para Belo Horizonte, foi autorizado a atuar em empresas parceiras da Justiça mineira, mas pediu permissão para trabalhar na própria empresa e ainda não recebeu respostaDelúbio SoaresEm 28 de novembro, pediu autorização para trabalhar na CUT. Recebeu a permissão da Justiça no último dia 16 e, no dia seguinte, seguiu para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP). Começou a trabalhar na segunda-feiraJacinto LamasNo dia 13, um mês e meio depois do pedido, obteve autorização da Justiça para trabalhar. Foi para o CPP três dias depois e também começou a atividade na segunda-feira, como assistente administrativo em uma empresa de engenharia, com salário de R$ 1,2 milJosé DirceuApós desistir do primeiro pedido para atuar em um hotel, solicitou autorização, em 19 de dezembro, para trabalhar no escritório do advogado criminalista José Gerardo Grossi, para ganhar R$ 2,1 milPasso a passoConfira como é o caminho até o preso conseguir autorização para trabalhar fora da prisão.A defesa do preso em regime semiaberto protocola o pedido de autorização na Vara de Execuções Penais (VEP), detalhando a função e fornecendo dados sobre a empresa em que o cliente foi admitidoA Seção Psicossocial da VEP analisa a idoneidade da proposta, podendo comparecer à empresa para verificar as condições de trabalho a serem exercidas pelo preso e a real necessidade de contratação de mão de obra O empregador e o preso são ouvidos pelo juiz para saber se ambos estão dispostos e aptos a selar o contrato O relatório elaborado pela seção recebe um parecer do Ministério Público e, em seguida, o juiz da VEP decide se concede a autorização Se permitido o trabalho, o preso pode ser transferido para um local de detenção especial, no caso de Brasília, o CPP, onde ele passa a dormir Fonte: Estado de MinasVeja também:
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