“Não sou bandido. Apenas fiz uma manifestação”, diz jovem que atirou pizzas no plenário da Câmara Municipal

"Eu não agredi ninguém, não fiz nada contra ninguém", disse Lucas Lespinasse, manifestante que atirou pizzas no plenário da Câmara de Vereadores de Franca - Foto: Pop Mundi / Thiago Garcia Indignado com o arquivamento da CEI, Comissão Especial de Inquéri
08/08/2013 às 00h00
 - Atualizado há 13 anos

“Eu não agredi ninguém, não fiz nada contra ninguém”, disse Lucas Lespinasse, manifestante que atirou pizzas no plenário da Câmara de Vereadores de Franca – Foto: Pop Mundi / Thiago Garcia

Indignado com o arquivamento da CEI, Comissão Especial de Inquérito, que apura os contratos e a construção do Viaduto Dona Quita, em Franca, o jovem manifestante que atirou pizzas nos vereadores, durante a seção da Câmara Municipal, na última terça-feira, recebeu a reportagem do Portal Pop Mundi e da Rádio Imperador para comentar o ato, e a atual situação política da cidade. Lucas Lespinasse, o “homem das pizzas”, como ficou conhecido, também falou de como está encarando as acusações.

O que motivou você a atirar as pizzas nos vereadores?

Primeiramente, era um ato de indignação ao relatório da CEI. A ideia era pegar as pizzas e fazer uma distribuição no plenário, porém, com uma indignação muito grande que tive, acabei jogando elas lá.

Algumas pessoas disseram que você jogou as pizzas a mando dos vereadores da oposição, Luiz Carlos Vergara (PSB) e Márcio do Flórida (PT). Isso é verdade?

Quem acabou falando isso não sabe de nada. Tudo que aconteceu ali eu não tive informações nenhuma, não sou privilegiado, e tudo que aconteceu foi realmente repentino. O protesto era do Movimento “Vem Pra Rua”. O fato de jogar as pizzas foi um surto meu naquele momento.

Como você planejou tudo isso de levar as pizzas à Câmara, e como foi nos bastidores?

A partir do momento em que eu soube que o vereador, relator da CEI, protocolou antes da hora o relatório dele, eu já sabia que alguma coisa iria acontecer. Para ele fazer isso e não ter o voto do presidente da CEI, eu já imaginava que poderia acabar em pizza mesmo. De fato o que aconteceu é que na noite anterior a sessão, eu pensei que seria interessante levar as pizzas, então conversei com o pessoal e todos concordaram em levar. Chegando lá e ouvindo o Vergara lendo o relatório, constatamos o que já esperávamos do determinado vereador.

Depois que jogou as pizzas você foi embora. O que foi fazer?

Eu fui embora devido a repressão, tanto que quando joguei as pizzas, já vieram dois assessores falando coisas absurdas, por isso decidi ir embora.

Eles disseram o quê?

Falaram que eu estava prejudicando boa parte da Câmara e estaria me prejudicando. Quem havia me orientado, não sabia o que estava fazendo, ou querendo me prejudicar também. Por isso quero dizer que não tive orientação nenhuma, e tudo que fiz foi por livre vontade.

Após isso você sofreu alguma ameaça?

Não. Somente o processo mesmo.

Você prestou o depoimento na delegacia. O que relatou ao delegado?

Na terça-feira mesmo (dia da sessão) foi lavrado o boletim de ocorrência, na quarta-feira, provavelmente, já estavam investigando e na quinta já fui depor com meu advogado. Esclarecemos todos os fatos. Que não teve nenhuma manipulação, que foi um surto e foi basicamente isso, além de algumas perguntas técnicas.

O processo corre agora na justiça?

Isso. O processo segue na justiça e hoje mesmo tive uma informação que eu não sabia e não sei quem são esses vereadores, que assinaram, junto ao Jépy Pereira, um termo para dar continuidade a esse processo. Conversei hoje com o vereador Adérmis Marini (PSDB), e o que ele sabe é simplesmente ele, o Márcio do Flórida e o Vergara foram os três que não representaram, os outros ele não soube me informar quem são.

O que você, como manifestante, pensa sobre a continuidade do processo?

Eu acho ridículo. Eles estão querendo usar o fato de ter jogado as pizzas para desviar o foco do relatório da CEI. Porém, estou sendo muito bem amparado como cidadão pelo relatório do Márcio do Flórida.

Na última sessão o presidente da Câmara Municipal de Franca, Jépy Pereira (PSDB) fez um pronunciamento que está repercutindo nas redes sociais. Você ouviu, o que tem a falar?

Até por orientação do meu advogado não pude ir lá ontem (06) para assistir pessoalmente, mas vi pela internet bem o momento em que o Adérmis havia acabado de falar que toda a Câmara Municipal precisa rever os conceitos deles. Mas aí não sei se ele (Jépy) não ouviu ou fez que não ouviu, mas logo em seguida já quis me condenar por conta própria.

Você está com medo de sofrer algum tipo de represália após esse fato?

Não. Espero que seja tudo muito democrático, pois a partir do momento em que ele registrou o boletim de ocorrência, que tudo agora fique por conta da justiça, e se eu tiver que pagar a pena, eu vou pagar, e se em algum momento o que fiz foi ilegal, eu pagarei.

O que você espera com relação a esse processo, e mesmo após tudo isso pretende seguir com as manifestações, e acompanhando o Legislativo?

Sim, tanto que estou acompanhando pela internet, e a repercussão foi muito grande, mas isso não vai calar o povo, não vai me calar e continuo na rua. A luta é todo o dia.

No início da entrevista você afirmou que sua atitude foi um gesto repentino e depois disse que sugeriu levar as pizzas aos manifestantes. Não foi um ato pensado?

Não. Eu levei as pizzas para fazer a distribuição delas para oferecer aos vereadores, porém, eu fui buscar meus capacetes na sala do vereador (Vergara), e na hora que voltei já tirei as pizzas da bolsa e antes mesmo que chegasse aos manifestantes para fazer essa distribuição, abri uma porta de acesso restrito e já as joguei. Até depois o pessoal até brincou “reclamando” que não distribui para eles. Foi um impulso muito forte. A única coisa planejada era a distribuição, isso sim era planejado.

O presidente da Câmara Municipal, Jépy Pereira acabou sugerindo uma “condenação” para você prestar serviços de limpeza no plenário. Como encara isso sendo apontado como alguém que cometeu um crime?

Não sei o que ele pensou na hora, e nem a medida que deve tomar. Ele apesar de advogado previdenciário conhece toda a parte jurídica e deve saber que ele não pode penalizar. Então ele falando aquilo dá a entender que quer induzir alguma coisa à justiça. Creio que ele foi infeliz na fala dele. Eu fiquei por entender.

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