‘Eu ia queimar o corpo, mas não tinha álcool’; diz autor de latrocínio

Welton Fernando Siqueira Júnior, de 18 anos, confessou que premeditou o crime contra bancário Rodrigo Gasparoti, interessado em roubar o carro dele
08/12/2022 às 11h45
 - Atualizado há 3 anos

“Eu ia queimar o corpo, mas não tinha álcool”. Essas palavras foram ditas em depoimento à Polícia Civil, pelo jovem de 18 anos que confessou ter matado o bancário Rodrigo Gasparoti, de 37 anos, em Nuporanga (SP). O crime aconteceu na noite do último domingo, 4 de dezembro.

Welton Fernando Siqueira Júnior, nascido em Franca, vive há algum tempo em Nuporanga. Segundo consta no termo interrogatório da Polícia Civil, ele planejou o roubo já com intenção de matar a vítima, uma semana antes. Ele, e o comparsa, Wilian Sérgio da Costa Ferreira, de 29 anos, tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça na terça-feira (6), por latrocínio, que é roubo seguido de morte, e ocultação de cadáver.

Wilian foi procurado por Welton por volta das duas horas da madrugada de segunda-feira. O assassino, conhecido como ‘Diou’, por não saber dirigir o veículo, foi até Nuporanga a pé e confessou o crime ao amigo. No depoimento, Wilian afirmou que não conhecia Rodrigo, que apenas ajudou Welton a colocar o corpo no porta-malas e jogar no Rio Sapucaí.

ENTENDA O CASO

Rodrigo desapareceu na noite do domingo, 4, após encontrar com conhecidos em um bar. Imagens de câmeras de segurança da conveniência de um posto de combustíveis, mostram os últimos passos do bancário. Ele entra no estabelecimento, compra um produto e ao passar no caixa, paga com um cartão e recebe o troco em dinheiro.

Gasparoti morava com a família em Nuporanga e trabalhava em uma agência bancária em Sales Oliveira, município vizinho. Os familiares procuraram a Polícia Civil na manhã de segunda-feira, 5, após ele não retornar para a casa.

Durante as buscas, os policiais encontraram o carro do bancário abandonado em uma mata, na zona rural de Nuporanga. Havia marcas de sangue na tampa do porta-malas e em sacolas deixadas no veículo. Além disso, o aparelho de som tinha sido roubado.

FALSO ENCONTROSegundo o depoimento, Welton contou que recebeu um “oi” de Rodrigo por meio de uma mensagem enviada em uma rede social no dia 27 de novembro, mas não respondeu por saber que o bancário era homossexual.

No dia seguinte, durante jogo do Brasil na Copa do Mundo, Welton viu Rodrigo em um bar e se interessou no carro de luxo da vítima, modelo Honda Civic. A partir disso, ele começou a planejar o roubo. No depoimento, o assassino disse ainda que sempre teve intenção de matar o bancário, pois se apenas o roubasse, a vítima iria o perseguir depois.

Dessa forma, a fim de colocar seu plano em prática, na noite do dia 4 de dezembro, Welton enviou mensagem à vítima pela rede social marcando o encontro. Na mensagem, o assassino usa da expressão “vamo dá um peão” para se referir ao encontro sexual. Em resposta, a vítima informou que só tinha R$ 100 e Welton disse estar tranquilo. No horário acordado, por volta das 20 horas, encontraram-se nas proximidades da represa localizada na entrada da cidade. No local, a vítima foi agredida.

“Comecei a dar soco nele e já grudei ele num mata leão, aí ele apagou e na hora que ele apagou e eu continuei batendo nele, dando soco na cara dele para ter certeza que ele estava morto. Até então eu não tinha certeza não, mas aí ele parou de respirar, aí eu vi que ele estava morto (…) Eu ia queimar o corpo, mas não tinha álcool, queria tirar minha digital do corpo dele. Aí então eu pensei que como não dava pra queimar, eu podia jogar no rio”, declarou Welton, com frieza, à polícia.

TENTATIVA DE VENDA FRUSTRADA

Welton e Wilian, após consumirem com o corpo, viajaram para Batatais e Ribeirão Preto com a intenção de vender o veículo, mas, sem sucesso, abandonaram na manhã da segunda-feira (5), em um canavial.

Welton ainda voltou com Wilian ao local onde estava o veículo com a intenção de limpar vestígios de impressões digitais, usando acetona. O assassino ainda contou à polícia que retirou o kit multimídia do veículo porque após matar Rodrigo, viu que a família de Rodrigo estava ligando.

A carteira da vítima e outros pertences foram achados pela polícia após Welton declarar onde havia jogado os itens para despistar os investigadores. O carro foi localizado pela polícia na terça-feira.

BUSCAS PELO CORPODesde terça-feira, bombeiros de Franca e Orlândia trabalham nas buscas pelo corpo do bancário. Fotos:Reprodução/Redes Sociais

Leia também:

Escolha sua rádio