
Copom deve anunciar novo corte na taxa Selic, mas mercado já prevê pausa em dezembro

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira, 04, para definir o novo patamar da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A expectativa dos analistas é de mais uma redução, a sexta consecutiva, com os juros chegando a 13,5%. A decisão será anunciada no início da noite e ocorre em meio à pressão do dólar e às preocupações com a inflação. Mesmo com a previsão de corte agora, o mercado já trabalha com a possibilidade de manutenção da taxa no encontro de dezembro.
A cautela dos analistas está relacionada a diferentes fatores que podem pressionar os preços, como a alta do petróleo, o aumento dos gastos públicos, a instabilidade no câmbio e os efeitos do fenômeno El Niño sobre os alimentos. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, desacelerou em outubro e ficou em 0,32%. No acumulado de 12 meses, porém, o índice chegou a 4,62%, acima do limite de 4,5% estabelecido pela meta de inflação. A projeção do mercado para a inflação de 2026 também subiu, passando de 5,19% para 5,22%.
Outro ponto que marca a reunião é a ausência de dois integrantes da diretoria do Banco Central. Os mandatos dos ex-diretores responsáveis pelas áreas de Organização do Sistema Financeiro e Política Econômica terminaram no fim de 2025, e os substitutos ainda não foram indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário exige atenção do Copom, que já vinha demonstrando preocupação com a pressão da demanda sobre os preços e com os riscos para o controle da inflação.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação e influencia diretamente o custo dos empréstimos, financiamentos e investimentos. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, o que ajuda a frear o consumo e a pressão sobre os preços. Quando caem, a tendência é de estímulo à atividade econômica, com condições de crédito mais favoráveis. A meta de inflação em vigor é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
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