Justiça concede liberdade a empresário investigado por desaparecimento milionário de café na região

Prisão preventiva foi revogada após acordo que garante parte do ressarcimento aos produtores prejudicados
30/07/2026 às 09h51
 - Atualizado há 8 horas
Foto: Divulgação | ACIF 2024

A Justiça de Minas Gerais determinou a soltura do empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), investigado pelo desaparecimento de 21 mil sacas de café que causou prejuízo estimado em R$ 132 milhões a produtores de Ibiraci (MG). A decisão foi tomada após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), por meio do qual a empresa EldoradoAgro se comprometeu a garantir R$ 47,2 milhões para indenizar integrantes da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil). Com a nova garantia patrimonial, a Justiça entendeu que o empresário pode responder ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

Na decisão, o juiz Roberto Carlos de Menezes destacou que houve uma mudança significativa nas circunstâncias que motivaram a prisão preventiva. Segundo o magistrado, o acordo firmado com o Ministério Público assegura patrimônio suficiente para garantir grande parte do ressarcimento aos produtores rurais prejudicados, reduzindo a necessidade da mante-lo na prisão. Enquanto aguarda o andamento do processo, Elvis Vilhena Faleiros será monitorado por tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com vítimas, testemunhas e demais investigados.

A defesa do empresário afirmou que ele nunca teve a intenção de causar prejuízo aos produtores e sustentou que o caso é consequência de negócios malsucedidos que resultaram em dificuldades financeiras. Os advogados também argumentam que a prisão preventiva foi ilegal e arbitrária, alegando que, na prática, representava uma prisão por dívida, situação vedada pela legislação brasileira.

O desaparecimento das sacas de café começou a ser descoberto em agosto do ano passado, quando produtores procuraram a cooperativa para retirar os grãos armazenados e constataram que eles não estavam mais nos barracões. Segundo a Polícia Civil, cerca de 180 pessoas podem ter sido prejudicadas pelo esquema, com prejuízo estimado em R$ 132 milhões. Elvis Vilhena Faleiros foi preso em fevereiro deste ano, após passar mais de um mês foragido, e segue investigado por apropriação indébita, gestão temerária de cooperativa e associação criminosa. Além dele, dois ex-diretores da Cocapil também tiveram bens penhorados durante as investigações.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio