Esquema de CNH irregular leva dono de autoescola à prisão

Investigação começou após análise de um celular apreendido em outra operação e revelou possível fraude em exames teóricos para candidatos analfabetos
17/07/2026 às 08h56
 - Atualizado há 2 meses
Foto: Arquivo PopMundi

A Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira, 16, em Franca (SP), um homem de 44 anos, proprietário de uma autoescola, suspeito de integrar um esquema de fraude na obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para pessoas analfabetas. Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de São Joaquim da Barra, ele seria responsável por organizar todo o processo de emissão do documento para moradores da zona rural de cidades da região, cobrando entre R$ 4 mil e R$ 12 mil pelo serviço. O suspeito foi abordado dentro da autoescola, preso em flagrante e encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) para prestar depoimento.

Além da prisão, a Polícia Civil cumpriu quatro mandados de busca e apreensão: um na residência do investigado, outro na casa da namorada e dois nas autoescolas ligadas a ele. Durante a operação, realizada com apoio de servidores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), foram recolhidos documentos que, segundo o delegado Gustavo de Almeida Costa, reforçam a suspeita da existência de um esquema organizado para a emissão irregular de habilitações.

De acordo com a investigação, a fraude acontecia exclusivamente na etapa da prova teórica. Como os candidatos eram analfabetos, eles não teriam condições de serem aprovados no exame escrito de forma regular. Já a prova prática, conforme a polícia, era realizada normalmente, seguindo as exigências previstas na legislação para obtenção da CNH.

As investigações começaram durante uma operação de combate ao tráfico de drogas em Ipuã (SP). A análise do conteúdo de um celular apreendido revelou conversas sobre a negociação de uma carteira de motorista, o que levou os policiais a aprofundarem a apuração e identificarem o suposto esquema. Até o momento, seis pessoas já foram identificadas como beneficiárias da fraude, cinco delas de Minas Gerais e uma da zona rural de Ipuã. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil com apoio do Detran para identificar outros possíveis envolvidos e a dimensão da fraude.

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