
Casos de acidentes com escorpiões crescem e especialistas reforçam medidas de prevenção

Com o aumento dos acidentes envolvendo escorpiões em diversas regiões do país, especialistas reforçam a importância da prevenção dentro de casa e alertam que qualquer picada deve ser considerada uma emergência médica. A orientação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo é que a vítima procure atendimento imediatamente, mesmo quando o animal não for visto.
Adaptados ao ambiente urbano, os escorpiões encontram alimento, água e abrigo com facilidade nas cidades. Eles costumam se esconder em locais escuros e entram nas residências por ralos, tubulações, calhas, caixas de energia e pequenas frestas em paredes e pisos. Nem mesmo apartamentos em andares altos estão totalmente livres da presença desses animais.
Ambientes limpos reduzem o risco
A principal forma de prevenção é eliminar as condições que favorecem a permanência dos escorpiões. Quintais com entulho, folhas secas, materiais de construção e acúmulo de lixo aumentam o risco de infestação, principalmente por atraírem baratas, principal fonte de alimento desses aracnídeos.
Também é recomendado manter ralos vedados, instalar telas em janelas, fechar frestas em paredes e rodapés, evitar que camas fiquem encostadas na parede e sempre verificar roupas, toalhas e calçados antes de usá-los.
Outra orientação importante é impedir que plantas e arbustos fiquem em contato direto com muros e paredes, criando possíveis esconderijos para os animais.
Plantas e produtos caseiros não afastam escorpiões
Apesar da popularidade de receitas caseiras, especialistas esclarecem que não existe comprovação científica de que plantas como citronela, arruda, alecrim ou lavanda sejam capazes de repelir escorpiões.
Da mesma forma, produtos como água sanitária, vinagre, inseticidas e pesticidas não são indicados para o controle desses animais. Além de apresentarem baixa eficácia, essas substâncias podem fazer com que os escorpiões deixem seus esconderijos e se espalhem para outros ambientes, aumentando o risco de acidentes.
O que fazer ao encontrar um escorpião
Caso encontre um escorpião, a recomendação é não tentar capturá-lo sem equipamentos adequados. Se houver segurança, o animal pode ser recolhido utilizando um recipiente plástico e um objeto longo, sempre mantendo distância das mãos.
Caso contrário, a orientação é acionar a prefeitura ou o serviço responsável pelo controle de zoonoses do município.
Especialistas também alertam para evitar o uso de luvas de borracha durante a captura, já que o ferrão pode atravessar esse tipo de material. O ideal é utilizar equipamentos de proteção confeccionados em couro ou outro material resistente.
Atendimento rápido pode salvar vidas
Após uma picada, a recomendação é lavar o local com água e sabão, aplicar uma compressa morna para aliviar a dor e procurar imediatamente uma unidade de saúde. Não é indicado fazer torniquetes, cortar o local, tentar sugar o veneno ou aplicar qualquer produto sobre a ferida.
Os sintomas costumam surgir rapidamente e incluem dor intensa, vermelhidão e inchaço. Em casos mais graves, principalmente em crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis, podem ocorrer suor excessivo, vômitos, alterações cardíacas, dificuldade para respirar, convulsões e até risco de morte.
Por isso, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, sendo o médico o único profissional habilitado para avaliar a gravidade do acidente e indicar a necessidade de aplicação do soro antiescorpiônico.
Período mais crítico exige atenção redobrada
Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a maior incidência de escorpiões costuma ocorrer entre os meses de setembro e fevereiro, quando as temperaturas estão mais elevadas. Já nas regiões Norte e Nordeste, devido ao clima quente durante praticamente todo o ano, os acidentes podem acontecer em qualquer época.
A rápida capacidade de reprodução também preocupa as autoridades sanitárias. Algumas espécies conseguem gerar até 25 filhotes por gestação e determinadas fêmeas se reproduzem sem necessidade de acasalamento, o que favorece a expansão das populações em áreas urbanas.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia para evitar acidentes e proteger toda a família.
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