De quatro para 27 alunos: projeto de foguetes transforma escola pública e leva jovens ao universo da ciência

Iniciativa desenvolvida em Uberaba prepara estudantes para a Olimpíada Brasileira de Foguetes, conquista medalhas e busca apoio para ampliar participação em competição nacional
01/06/2026 às 16h07
 - Atualizado há 2 meses
UBE

O que começou como a curiosidade de alguns estudantes hoje coloca uma escola pública de Uberaba na rota da ciência e da inovação. O projeto Jornada de Foguetes, desenvolvido na Escola Estadual Frei Leopoldo, cresceu de forma expressiva em 2026 e já mobiliza 27 alunos na construção, pesquisa e lançamento de foguetes, preparando jovens para a Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG).

O número representa um salto significativo em relação ao ano passado, quando apenas quatro estudantes participavam da iniciativa. O crescimento, segundo o professor e idealizador do projeto, Denilson Facioli de Carvalho, é reflexo dos resultados conquistados e do entusiasmo despertado entre os alunos. “Saímos de quatro alunos no ano passado para 27 este ano. É um aumento significativo e mostra o interesse crescente dos estudantes pela ciência”, destaca.

Mais do que construir foguetes, o projeto oferece aos participantes uma experiência completa de aprendizado. Os estudantes trabalham em diferentes categorias da competição, que vão desde modelos movidos a ar comprimido até foguetes mais avançados, com múltiplos estágios e sistemas de medição de altitude.

A proposta, porém, vai muito além da engenharia. Dentro da equipe, os jovens assumem funções ligadas à comunicação, administração financeira, liderança e organização dos projetos. “Eles aprendem a se comunicar, trabalhar com finanças, administrar redes sociais e até desenvolver projetos arquitetônicos. É um aprendizado que ultrapassa os conteúdos tradicionais da sala de aula”, explica o professor.

O interesse pela iniciativa já alcança diferentes séries da escola. Alunos do ensino fundamental também passaram a procurar a equipe para participar das atividades, fortalecendo a cultura científica dentro da unidade de ensino.

Medalhas e novos desafios

A história do projeto começou em 2024, quando um ex-aluno da escola, natural de Itapecuru-Mirim (MA), apresentou ao professor a proposta da Olimpíada Brasileira de Foguetes. A ideia rapidamente ganhou espaço entre os estudantes.

No ano seguinte, a escola participou pela primeira vez da competição nacional e conquistou duas medalhas de prata. O resultado impulsionou a adesão de novos integrantes e consolidou a Jornada de Foguetes como uma das iniciativas científicas de maior crescimento na rede pública local.

Agora, o grupo já se prepara para a próxima etapa da competição, a Jornada de Foguetes, que será realizada em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro.

Busca por patrocínio

Apesar dos bons resultados, o principal desafio atualmente é financeiro. A equipe busca apoio de empresas e parceiros para custear a participação dos estudantes na competição nacional.

Segundo Denilson, cada grupo formado por nove alunos demanda um investimento entre R$ 30 mil e R$ 40 mil para despesas com transporte, hospedagem, alimentação, materiais e inscrições. “A viagem tem um custo elevado, mas estamos trabalhando para que mais estudantes possam viver essa experiência”, afirma.

Além disso, o projeto está em fase de formalização de uma parceria com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), o que poderá transformar a iniciativa em um projeto de extensão universitária, ampliando ainda mais as oportunidades para os participantes.

Enquanto os foguetes seguem sendo construídos e lançados, os estudantes da Escola Estadual Frei Leopoldo provam que a ciência pode nascer dentro da sala de aula e alcançar voos cada vez mais altos. Para eles, o céu definitivamente não é o limite.

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