Carne produzida em laboratório avança no Brasil e promete revolucionar a alimentação

Tecnologia desenvolvida pela Embrapa permite criar carne sem abate de animais e com menor impacto ambiental
14/06/2026 às 19h13
 - Atualizado há 1 mês
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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está avançando no desenvolvimento de carne produzida em laboratório em unidades de pesquisa de Brasília (DF) e Concórdia (SC). A tecnologia utiliza células retiradas de animais vivos por meio de pequenas biópsias, que são multiplicadas em ambiente controlado para formar tecido muscular. O objetivo é oferecer uma alternativa à produção convencional de carne, reduzindo a necessidade de abate animal e os impactos ambientais associados à pecuária, como a emissão de gases de efeito estufa e o desmatamento.

O projeto é liderado pela Embrapa Suínos e Aves e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Os pesquisadores já conseguiram produzir protótipos de filés de peito de frango cultivados em laboratório. Paralelamente, também foram desenvolvidos alimentos impressos em 3D à base de proteínas vegetais, que reproduzem a aparência e a textura de produtos como salmão, caviar e anéis de lula.

Para criar a carne cultivada, os cientistas selecionam células musculares e de gordura extraídas dos animais e estimulam sua multiplicação em um ambiente rico em nutrientes. O crescimento dessas células ocorre sobre estruturas desenvolvidas com proteínas vegetais, que funcionam como uma espécie de suporte semelhante ao encontrado naturalmente nos organismos vivos. Esses biomateriais ajudam a dar textura, firmeza e outras características importantes ao produto final.

Além da carne cultivada, a Embrapa também trabalha em soluções complementares, como uma película comestível que poderá substituir a tradicional tripa utilizada em embutidos. O protótipo deve ser concluído em 2027. Enquanto isso, o setor segue ganhando espaço no Brasil e no exterior. A Anvisa já possui regras para esse tipo de alimento desde 2023, e países como Singapura, Estados Unidos, Israel e Austrália também avançam na produção e comercialização da chamada carne do futuro.

 

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