Operação mira lavagem bilionária e ligação do PCC com setor de combustíveis

Nova fase da investigação cumpre mandados em cinco estados e apura fraude fiscal, adulteração de gasolina e movimentações financeiras suspeitas
28/05/2026 às 09h40
 - Atualizado há 3 meses
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Foto: Divulgação MP-SP

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal realizaram, na manhã desta quinta-feira, 28, uma nova fase da Operação Carbono Oculto para investigar a infiltração do PCC no setor de combustíveis. A ação, chamada de Fluxo Oculto, cumpre cerca de 60 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Segundo os investigadores, o objetivo é desmontar um esquema de lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal que continuou funcionando mesmo após operações anteriores.

De acordo com o Ministério Público, empresários, operadores logísticos e “laranjas” ligados ao grupo teriam mantido movimentações financeiras bilionárias usando fintechs e empresas de fachada para esconder a origem do dinheiro. Em um dos casos investigados, operações de 56 postos de combustíveis eram concentradas em uma única conta bancária para dificultar o rastreamento das transações. Relatórios de inteligência financeira apontam movimentações suspeitas próximas de R$ 4 bilhões, além de conexões entre empresas do esquema e estruturas usadas pelo PCC para ocultação de recursos.

As investigações também revelaram a chamada “máfia do nafta”, esquema que utilizava solventes petroquímicos com baixa tributação para produzir gasolina adulterada. Segundo o Gaeco, mais de 135 milhões de litros de nafta foram desviados em pouco mais de dois anos, causando prejuízo superior a R$ 200 milhões em impostos sonegados. O combustível adulterado era distribuído em postos após passar por empresas de fachada criadas em nome de pessoas usadas como “laranjas”.

Entre os principais investigados estão os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontados como líderes do esquema e foragidos desde agosto do ano passado. A investigação aponta ainda que eles tentaram firmar acordo de delação premiada, rejeitado pelo Ministério Público por omissão de informações sobre lavagem de dinheiro, corrupção e vínculos com o PCC. As defesas dos investigados informaram que ainda não tiveram acesso completo aos detalhes da operação e, por isso, não vão se manifestar neste momento.

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