
Novo fundo garante proteção ao pecuarista e abre portas para mercados mais exigentes

A criação de um novo fundo voltado à sanidade animal promete impulsionar a pecuária paulista e ampliar a presença da carne brasileira em mercados internacionais mais exigentes. O Fundo de Defesa da Sanidade Pecuária (Fundesa-PEC), regulamentado em 2024, surge como uma ferramenta estratégica para proteger produtores e garantir o status sanitário do rebanho.
Na prática, o fundo funciona como um seguro para os pecuaristas, sendo acionado em casos de surtos de febre aftosa. Caso haja necessidade de abate sanitário, os produtores recebem indenização de forma ágil, reduzindo prejuízos e incentivando a notificação rápida de possíveis focos da doença.
A medida ganha ainda mais relevância em um cenário em que o Brasil não registra casos de febre aftosa há cerca de 30 anos. Em 2024, o país avançou ao suspender a vacinação, seguindo diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária. A transição exige mecanismos de segurança, como o Fundesa-PEC, para manter o reconhecimento internacional de área livre da doença sem vacinação.
Esse status é fundamental para acessar mercados mais rigorosos, como Japão e Coreia do Sul, que valorizam e pagam mais por produtos oriundos de regiões com alto controle sanitário. Nesse contexto, o fundo também atende exigências da Organização Mundial de Saúde Animal, que determina a disponibilidade imediata de recursos para ações emergenciais.
Segundo o médico-veterinário Luiz Henrique Barrochelo, diretor da Defesa Agropecuária, o mecanismo fortalece toda a cadeia produtiva. “O fundo garante que o produtor notifique rapidamente qualquer suspeita. Isso permite respostas mais ágeis, contenção do foco e recuperação mais rápida do status sanitário”, explica.
A contribuição ao Fundesa-PEC é feita pelos produtores duas vezes ao ano, durante a atualização do rebanho, com valor definido por animal. Em 2026, a taxa foi estabelecida em R$ 1,06 por cabeça de bovinos e bubalinos.
Mais do que uma medida de proteção, o fundo consolida São Paulo como referência em sanidade animal e fortalece a competitividade da carne brasileira no cenário global.
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