
Café regenerativo ganha força no Brasil e pode aumentar renda de produtores em até 62%

A cafeicultura regenerativa deixou de ser apenas uma tendência experimental e começa a ganhar espaço comercial no Brasil, impulsionada pela pressão internacional por sustentabilidade e pela busca de produtores por maior rentabilidade no campo. Estudos recentes apontam que o modelo pode elevar em até 62% a renda dos cafeicultores, além de abrir portas para mercados mais exigentes e valorizados.
O avanço ocorre em meio ao interesse crescente de multinacionais do setor, como Nestlé e JDE Peet’s, que passaram a incorporar metas ambientais em suas cadeias de fornecimento e incentivar práticas regenerativas na produção agrícola.
Levantamento realizado pela TechnoServe, em parceria com grandes empresas do setor cafeeiro, analisou países responsáveis por cerca de 70% da produção mundial de café. O estudo concluiu que a adoção dessas práticas pode gerar ganhos econômicos significativos, além de reduzir em até 46% as emissões de gases de efeito estufa.
As técnicas incluem cobertura vegetal do solo, uso reduzido de defensivos químicos, adoção de bioinsumos e integração de árvores às lavouras. Especialistas apontam que essas medidas ajudam a melhorar a fertilidade do solo, aumentar a retenção de água e tornar as plantações mais resistentes às mudanças climáticas.
No Brasil, a Região do Cerrado Mineiro desponta como uma das principais referências nesse movimento. Responsável por cerca de 12,7% da produção nacional de café, a região já possui aproximadamente 30 mil hectares cultivados sob critérios regenerativos e exporta café para mais de 30 países.
A inserção internacional também avança com parcerias comerciais voltadas a cafés de maior valor agregado. Empresas como a illy já comercializam grãos produzidos dentro desse modelo sustentável, especialmente para consumidores atentos a critérios ambientais e rastreabilidade.
No campo, cooperativas brasileiras também aceleram a transição. A Cooxupé desenvolve projetos com corredores ecológicos, plantio de árvores nas propriedades e uso de bioinsumos. Segundo dados divulgados pela cooperativa, as áreas em adaptação já apresentam redução no uso de defensivos agrícolas, menor necessidade de irrigação e melhora na qualidade dos grãos.
Além da produção sustentável, o setor começa a enxergar novas oportunidades financeiras. Projetos ligados à geração de créditos de carbono surgem como uma possível fonte complementar de renda, embora especialistas alertem que esse mercado ainda está em estágio inicial no Brasil.
Apesar do cenário promissor, a transição para o modelo regenerativo ainda enfrenta desafios importantes. O principal deles é o custo de implementação e a necessidade de assistência técnica especializada. Outro obstáculo apontado pelo setor é a falta de uma certificação global padronizada para definir critérios regenerativos, o que dificulta a comparação entre mercados.
Ainda assim, a avaliação predominante entre especialistas é de que a sustentabilidade deve deixar de ser um diferencial competitivo para se tornar uma exigência do mercado internacional. Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, o movimento pode representar uma nova fase de valorização da cafeicultura nacional, aliando produtividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados.
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