Agro lidera pedidos de recuperação judicial e acende alerta no setor

Segmento concentra 30% dos casos em 2025 e reflete pressão de custos, clima e endividamento
13/04/2026 às 15h31
 - Atualizado há 5 meses
Agro pop

O setor agropecuário liderou os pedidos de recuperação judicial no Brasil em 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. Ao todo, foram 743 solicitações, o que representa 30,1% dos CNPJs que recorreram ao mecanismo para reorganizar dívidas e manter as operações.

O dado coloca o agronegócio à frente dos demais setores da economia e evidencia um crescimento expressivo ao longo dos anos. Em 2012, a participação do segmento era de apenas 1,3%, salto que reforça as dificuldades enfrentadas pela cadeia produtiva.

Além da agropecuária, o setor de serviços também aparece entre os que mais recorreram à recuperação judicial. Já a indústria e o comércio registraram queda proporcional ao longo do período analisado.

De acordo com a Serasa Experian, o cenário reflete desafios específicos de cada setor, influenciados por fatores como custo de crédito, demanda e estrutura de endividamento das empresas.

Para a economista-chefe da instituição, Camila Abdelmalack, o agronegócio enfrenta riscos inerentes à atividade, como oscilações climáticas, queda nos preços de grãos e aumento de custos, especialmente com fertilizantes, pressionados pelo cenário internacional. Esses fatores, segundo ela, impactam diretamente a margem de lucro e a capacidade de pagamento das empresas. “Em momentos adversos, toda a cadeia é afetada, do produtor à logística e à agroindústria, o que eleva a necessidade de renegociação de dívidas”, explica.

O levantamento também mostra que 2025 foi um ano recorde em pedidos de recuperação judicial no país. No total, 2.466 empresas entraram com solicitações, um aumento de 13% em relação ao ano anterior e o maior volume desde 2012.

Além disso, o número de processos, que podem envolver mais de uma empresa de um mesmo grupo econômico, chegou a 977 no período, o maior patamar em dez anos, com crescimento de 5,5% frente a 2024.

Os dados reforçam um cenário de pressão sobre diferentes setores da economia e indicam que a recuperação judicial segue sendo uma alternativa para empresas que buscam reorganização financeira e continuidade das atividades.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio