
Laudo encontra medicamentos no corpo de jovem morto em caso que envolve assassinato e desaparecimento em Franca

Um exame toxicológico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Minas Gerais identificou duas substâncias medicamentosas no fígado de Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos, um dos jovens encontrados mortos em uma propriedade rural de Sacramento (MG), em julho. O resultado acrescenta novos elementos à investigação sobre as mortes de Guilherme e Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa, de 18 anos, suspeitos de envolvimento no assassinato do caseiro Milton de Sousa Prado, de 44 anos, em Franca. A Polícia Civil apura a hipótese de que os dois jovens tenham sido dopados antes de serem mortos.
O laudo apontou a presença de amitriptilina, um antidepressivo, e carbamazepina, medicamento utilizado principalmente no tratamento de convulsões. Segundo o delegado Maurício Murari, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca, as substâncias podem provocar sedação, principalmente quando associadas ao consumo de álcool. O resultado é compatível com a suspeita de que Guilherme tenha recebido medicamentos antes de ser assassinado, mas ainda não permite identificar quem teria administrado as substâncias. O exame necroscópico também indicou que ele morreu após ser atingido por golpes de faca. A polícia aguarda agora o resultado dos exames toxicológicos realizados no corpo de Rafael.
A principal linha de investigação considera o depoimento de um tio de Maria Isabel Oliveira Prado, filha do caseiro e também desaparecida desde julho. Segundo o familiar, depois da morte do pai, a jovem teria contado que pretendia atrair Guilherme e Rafael, oferecer comida e bebida aos dois, dopá-los e depois matá-los. O homem também afirmou que ela pediu ajuda para esconder os corpos e acabou preso por suspeita de ocultação de cadáver. Maria Isabel é investigada por possível participação nos homicídios, mas seu paradeiro continua desconhecido e sua morte não foi confirmada.
O caso começou em 16 de junho, quando Milton foi assassinado a pauladas na chácara onde trabalhava como caseiro, em Franca. Conforme a investigação, Maria Isabel teria chamado os dois jovens para dar um susto no pai, mas a agressão terminou em morte. Depois disso, Guilherme e Rafael desapareceram e, em julho, familiares de Milton foram sequestrados e mantidos em cativeiro. Três vítimas foram resgatadas pela Polícia Civil no Jardim Aeroporto III, em Franca, enquanto Maria Isabel havia sido levada para outro endereço. Posteriormente, os corpos dos dois jovens foram encontrados em Sacramento, e o carro da jovem foi localizado incendiado em uma propriedade rural próxima a Ibiraci (MG). A Polícia Civil continua investigando as mortes, o sequestro e o desaparecimento, além de aguardar resultados periciais que podem ajudar a esclarecer a participação de cada envolvido.
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