Um em cada cinco adolescentes sofre violência sexual na internet no Brasil, aponta estudo

Relatório internacional revela que cerca de três milhões de jovens já foram vítimas de abusos ou exploração em ambientes digitais
05/03/2026 às 09h21
 - Atualizado há 5 meses
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Foto: Reprodução

Um levantamento divulgado nesta quarta-feira, 04, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância revelou que um em cada cinco adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos sofreu algum tipo de violência sexual em ambientes digitais no período de um ano. O estudo, realizado em todo o país com apoio de organizações internacionais, estima que cerca de três milhões de jovens tenham sido vítimas de situações como assédio, ameaças, extorsão ou exposição a conteúdos sexuais por meio da internet.

A pesquisa analisou experiências de abuso e exploração sexual que envolvem o uso de tecnologias, incluindo casos que acontecem totalmente online ou que começam no ambiente virtual e depois se estendem para o contato presencial. Em dois terços dos relatos, a violência aconteceu exclusivamente pela internet, principalmente em redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos online.

Entre os episódios mais relatados estão o recebimento de conteúdo sexual sem consentimento, pedidos para envio de imagens íntimas, ofertas de dinheiro ou presentes em troca de fotos ou encontros e ameaças de divulgação de material privado. Também foram identificados casos de compartilhamento de imagens íntimas sem autorização e até manipulação de fotos com inteligência artificial para criar conteúdo sexual falso.

O estudo aponta ainda que quase metade das agressões foi cometida por pessoas conhecidas das vítimas, como amigos, familiares ou pessoas com quem os adolescentes tinham algum tipo de relação. Em muitos casos, o primeiro contato com o agressor aconteceu pela internet, mas também houve abordagens iniciadas em locais como escolas ou até dentro de casa.

Outro dado preocupante é que cerca de um terço dos adolescentes que sofreram esse tipo de violência não contou a ninguém sobre o ocorrido. Entre os principais motivos estão vergonha, medo, receio de não serem acolhidos e dificuldade em saber onde buscar ajuda. O levantamento também mostra que muitos jovens não reconhecem essas situações como crime, o que contribui para o silêncio e dificulta a denúncia e a responsabilização dos agressores.

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