
SUS lança teleatendimento para ajudar pessoas com vício em apostas online

O Ministério da Saúde iniciou nesta terça-feira, 03, um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado para pessoas com compulsão por jogos de apostas. A iniciativa, realizada pelo SUS em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, oferece consultas online gratuitas para adultos a partir de 18 anos, além de apoio para familiares e pessoas próximas que convivem com o problema.
A proposta é ampliar o acesso ao tratamento para quem sofre com o vício em apostas, especialmente nas plataformas digitais. Segundo o ministro da Saúde, o serviço nasce como resposta ao crescimento desse tipo de comportamento, que tem provocado impactos na saúde mental, nas finanças e nas relações familiares.
Os atendimentos são realizados por videochamada e duram, em média, 45 minutos. Cada paciente pode participar de ciclos de cuidado que incluem até 13 sessões, que podem acontecer individualmente ou em grupo, envolvendo também familiares ou pessoas da rede de apoio. A equipe é formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatras quando necessário.
Inicialmente, a expectativa é realizar cerca de 600 atendimentos por mês. No entanto, o Ministério da Saúde pretende ampliar o serviço gradualmente, podendo chegar a até 100 mil atendimentos mensais, de acordo com a demanda.
Para acessar o atendimento, o interessado precisa baixar o aplicativo “Meu SUS Digital”, disponível gratuitamente para celulares ou na versão web, e fazer login com a conta gov.br. Dentro do aplicativo, basta acessar a área de “Miniapps” e selecionar a opção voltada para problemas com jogos de apostas.
Antes do atendimento, o usuário responde a um autoteste baseado em critérios científicos, que ajuda a identificar sinais de risco. Caso o resultado indique risco moderado ou alto de compulsão, o próprio sistema já encaminha o usuário para o teleatendimento. Nos casos considerados leves, o aplicativo orienta a busca por atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial, que inclui CAPS e unidades básicas de saúde.
Além do atendimento direto, o aplicativo também reúne conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impactos das apostas na saúde mental. A Ouvidoria do SUS também está preparada para orientar a população pelo telefone 136, além de canais digitais como WhatsApp, formulário online e chatbot.
Um estudo recente aponta que as apostas esportivas online geram perdas econômicas e sociais estimadas em R$ 38,8 bilhões por ano no país. Segundo o Ministério da Saúde, a procura por ajuda presencial ainda é considerada baixa, muitas vezes por vergonha, medo de julgamento ou dificuldade em reconhecer o problema. O teleatendimento surge justamente para facilitar o acesso ao tratamento de forma mais reservada.
Outra frente da estratégia do governo é a capacitação de profissionais de saúde para lidar com casos de compulsão em apostas. Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, o ministério abriu 20 mil vagas para treinamento. Até agora, mais de 13 mil profissionais já se inscreveram e cerca de 1,5 mil concluíram a formação.
Também faz parte do conjunto de medidas a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, criada para permitir que pessoas que desejam interromper o vício solicitem o bloqueio em sites de apostas. A ferramenta permite impedir novos cadastros e até o recebimento de publicidade dessas plataformas.
De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 300 mil pessoas já utilizaram a plataforma para se autoexcluir. A maioria optou pelo bloqueio por tempo indeterminado, como forma de reduzir a exposição às apostas e iniciar o processo de recuperação.
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