
Cofres vivos da ciência preservam genes que garantem o futuro da agricultura

Sementes raras, plantas antigas, microrganismos e até linhagens de animais preservados como um verdadeiro patrimônio biológico. Assim funcionam os bancos de germoplasma, estruturas que armazenam e protegem o material genético de diversas espécies para garantir que ele não se perca com o tempo.
Esses espaços são considerados verdadeiros “guardiões da diversidade genética”, fundamentais para o desenvolvimento da agricultura. É a partir desse acervo que cientistas conseguem criar novas variedades de plantas mais produtivas, resistentes a pragas e adaptadas às mudanças climáticas.
No estado de São Paulo, diversos bancos genéticos são mantidos por institutos de pesquisa ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA). As estruturas dão suporte ao melhoramento genético e ao desenvolvimento de novas cultivares agrícolas.
Coleções que se destacam
Um dos principais acervos está no Instituto Agronômico (IAC), que reúne 46 espécies agrícolas e cerca de 12 mil amostras. Entre elas estão culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como café, cana-de-açúcar, citros, feijão, amendoim, mandioca, uva, batata e cacau.
O instituto abriga ainda o maior Banco de Germoplasma de Café do Brasil, com 988 acessos, além da maior coleção de citros do mundo, que reúne 1.735 tipos diferentes.
Apoio à aquicultura
Na área da produção animal, o Instituto de Pesca mantém desde 2018 o primeiro banco de germoplasma de tilápia do Brasil, reunindo diferentes linhagens da espécie tilápia-do-nilo.
A estrutura funciona como um “arquivo vivo”, preservando material genético que serve de base para pesquisas e programas de melhoramento da aquicultura. A tilápia é atualmente o peixe mais consumido no país.
O instituto também mantém outros bancos voltados ao desenvolvimento da atividade, com coleções de macroalgas, microalgas marinhas, bactérias, cianobactérias, além de espécies como o peixe-zebra e a truta arco-íris.
Alimentação animal e sustentabilidade
Outro destaque está no Instituto de Zootecnia, que possui em sua sede, em Nova Odessa (SP), o Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Forrageiras.
A coleção reúne 286 amostras de gramíneas e 1.585 de leguminosas forrageiras, utilizadas na alimentação de bovinos, ovinos e caprinos. O acervo começou a ser formado na década de 1970, por meio de intercâmbios e coletas.
Desde 2022, o instituto desenvolve um projeto em parceria com a Associação Nacional dos Produtores de Sementes Forrageiras para validar e multiplicar sementes de novas cultivares, buscando sistemas de produção animal mais sustentáveis.
Controle biológico de pragas
O Instituto Biológico também mantém importantes bancos genéticos, como uma coleção de fungos do gênero Trichoderma. O acervo reúne 124 cepas, sendo duas já licenciadas para empresas que atuam com controle biológico de pragas.
Além disso, o instituto conserva bancos de fungos e nematoides entomopatogênicos, além de bactérias capazes de combater doenças em plantas.
Garantia para o futuro
Mais do que simples coleções científicas, os bancos de germoplasma representam uma reserva estratégica de biodiversidade. Preservar esse material hoje significa garantir as ferramentas necessárias para enfrentar desafios futuros da agricultura, como novas pragas, doenças e os impactos das mudanças climáticas.
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