Brasil atinge menor índice de mortalidade infantil em mais de 30 anos

Relatório da ONU mostra queda histórica nas mortes de bebês e crianças, mas alerta para desaceleração nos últimos anos
18/03/2026 às 08h08
 - Atualizado há 6 meses
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Foto: Agencia BR

O Brasil atingiu, em 2024, os menores índices de mortalidade neonatal e de crianças menores de cinco anos dos últimos 34 anos, segundo relatório divulgado nesta terça-feira, 17, pelas Nações Unidas. O levantamento aponta que a redução está ligada a políticas públicas de saúde adotadas no país desde a década de 1990, com foco na prevenção de mortes evitáveis e na ampliação do atendimento à população.

Os números mostram uma queda significativa ao longo das décadas. Em 1990, a cada mil bebês nascidos, 25 morriam ainda no primeiro mês de vida. Em 2024, esse número caiu para sete. Já entre crianças com menos de cinco anos, a taxa passou de 63 mortes por mil nascimentos em 1990 para 14,2 no ano passado, consolidando uma tendência de melhora contínua.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o avanço é resultado de iniciativas como o Programa Saúde da Família, a atuação de agentes comunitários e a expansão da atenção básica. Essas ações ampliaram o acesso ao pré-natal, à vacinação e ao acompanhamento infantil. Em nota, a chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, Luciana Phebo, destacou que “milhares de crianças que antes não sobreviveriam hoje têm a chance de crescer com saúde”, mas alertou para a necessidade de manter e ampliar esses esforços.

Apesar do cenário positivo, o ritmo de redução da mortalidade infantil desacelerou na última década. Entre 2000 e 2009, a queda anual nas mortes de recém-nascidos era de 4,9%. Já entre 2010 e 2024, esse ritmo caiu para 3,16% ao ano. A tendência acompanha o cenário global, onde a redução das mortes de crianças perdeu força desde 2015.

O relatório também chama atenção para a mortalidade entre jovens. Em 2024, cerca de 2,1 milhões de pessoas entre 5 e 24 anos morreram no mundo. No Brasil, a violência foi a principal causa de morte entre meninos de 15 a 19 anos, seguida por doenças e acidentes de trânsito. Entre meninas da mesma faixa etária, predominam doenças não transmissíveis, seguidas por infecções, violência e suicídio.

Especialistas reforçam que investir em saúde infantil continua sendo uma das estratégias mais eficazes para o desenvolvimento social. Medidas simples, como vacinação, combate à desnutrição e acompanhamento médico durante a gestação, têm alto impacto. Segundo o relatório, cada dólar investido na sobrevivência infantil pode gerar até 20 dólares em benefícios econômicos e sociais no futuro.

O estudo foi elaborado por um grupo de agências da ONU, com apoio do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde, e serve como base para orientar políticas públicas e monitorar os avanços na proteção à infância em diferentes países.

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