
Alta no preço dos combustíveis vira alvo de investigação após reclamações em vários estados

A Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica a abertura de uma investigação sobre aumentos recentes nos preços dos combustíveis registrados em postos de diferentes regiões do país. O pedido foi feito nesta terça-feira, 10, após reclamações de representantes do setor sobre reajustes em estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, mesmo sem anúncio oficial de aumento por parte da Petrobras nas refinarias.
Segundo a secretaria, a preocupação é entender se houve algum tipo de prática que possa ter afetado a concorrência no mercado. A avaliação do CADE deverá verificar se há indícios de aumento combinado ou comportamento semelhante entre empresas distribuidoras, o que poderia influenciar os preços praticados nos postos.
A solicitação surgiu depois que sindicatos ligados ao setor relataram que distribuidoras estariam elevando os valores de venda dos combustíveis. Entre as justificativas apontadas, estaria a valorização do petróleo no mercado internacional, influenciada por tensões e ataques recentes no Oriente Médio.
Entidades que representam o comércio de combustíveis em alguns estados também demonstraram preocupação com os reflexos do cenário externo. Representantes do setor alertam que conflitos envolvendo países como Estados Unidos, Israel e Irã têm pressionado as cotações do petróleo no exterior, o que pode impactar diretamente o mercado brasileiro.
Em Minas Gerais, o sindicato que representa os postos afirmou que já existe diferença significativa entre os preços praticados no país e os valores internacionais, especialmente no diesel e na gasolina. Segundo a entidade, algumas distribuidoras estariam restringindo a venda de combustível e praticando valores considerados elevados, o que pode afetar principalmente postos de bandeira própria. Há ainda relatos de estabelecimentos enfrentando dificuldades para manter o abastecimento.
Em São Paulo, o sindicato que representa o comércio varejista de combustíveis também acompanha o cenário com atenção. A entidade considera importante que a investigação avance para esclarecer as razões dos aumentos registrados e entender como os reajustes estão sendo aplicados ao longo da cadeia de distribuição.
Agora, caberá ao CADE analisar as informações enviadas pela Secretaria Nacional do Consumidor e decidir se haverá ou não abertura de procedimento formal para investigar possíveis irregularidades no mercado de combustíveis.
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