Quase 1 milhão deixam o emprego em um ano e revelam nova dinâmica no mercado

Em Minas Gerais, 940 mil trabalhadores pediram demissão em 2025, maior número já registrado no estado
18/02/2026 às 15h26
 - Atualizado há 5 meses
Carteira

O mercado de trabalho vive uma virada silenciosa. Em 2025, cerca de 940,8 mil trabalhadores decidiram pedir demissão em Minas Gerais, o maior número já registrado no estado. O movimento acompanha a tendência nacional, que somou 9 milhões de desligamentos voluntários no período.

Os dados foram levantados pelo economista Bruno Imaizumi, da empresa 4intelligence, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reúne informações sobre empregos formais no país.

Para o especialista, o recorde é reflexo direto do aquecimento da economia. “O aumento é comum em momentos em que a economia está em alta. É um indicativo de que há mais oportunidades, e as pessoas se demitem de um lugar para serem admitidas em outro”, avalia. Em 2025, a taxa de desemprego no Brasil fechou em 5,6%, o menor patamar já registrado.

Quem mais pede demissão

Os números mostram que os pedidos de desligamento se concentram entre trabalhadores com ensino superior completo ou incompleto, que representam 43% dos casos no país. A idade também influencia: 41% das demissões voluntárias ocorreram entre jovens de 18 a 24 anos, percentual que cai para 32% na faixa de 40 a 49 anos.

Segundo Imaizumi, profissionais mais escolarizados são mais disputados e, por isso, se movimentam com maior facilidade. Já os mais jovens tendem a arriscar mais. “Uma pessoa mais nova pode trocar de empresa buscando crescimento. As mais velhas, em geral, priorizam estabilidade”, explica.

Salário e qualidade de vida pesam na decisão

Entre trabalhadores com menor escolaridade, o principal motor das demissões é a busca por melhores salários e condições de trabalho. A advogada trabalhista Isabella Monteiro observa que discussões sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional têm influenciado decisões.

“Os salários ainda são muito baixos e muitas vezes baseados apenas no mínimo, não no esforço do trabalhador. Há funções que exigem grande desgaste físico e oferecem escalas ruins. As pessoas começam a se perguntar se vale a pena permanecer”, afirma.

Para parte da população de renda mais baixa, até pequenas diferenças salariais já justificam a mudança. Outra alternativa tem sido migrar para plataformas de transporte e entrega. No entanto, a advogada alerta: renda maior nem sempre significa qualidade de vida. “Às vezes, para ganhar mais, é preciso trabalhar 12 horas por dia”, pondera.

Sinal de força ou alerta?

Se por um lado o recorde de pedidos de demissão indica um mercado aquecido e mais oportunidades para os trabalhadores, por outro acende um alerta para as empresas. A dificuldade de reter talentos revela desafios na oferta de melhores salários, benefícios e condições de trabalho.

O fenômeno mostra que o trabalhador está mais disposto a buscar novas oportunidades e que estabilidade, hoje, pode significar algo bem diferente do que no passado.

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