Pequenos lojistas enfrentam margens apertadas e apostam no digital para crescer

Pesquisa do Sebrae-SP mostra que a maioria do varejo de moda no Estado, incluindo o interior como Franca, fatura até R$ 10 mil por mês
06/01/2026 às 14h21
 - Atualizado há 7 meses

A realidade financeira do pequeno varejo de vestuário, calçados e acessórios em São Paulo revela um cenário de desafios, adaptação e reinvenção. Segundo a pesquisa “Comércio varejista, desafios e oportunidades 2025”, do Sebrae-SP, 67% dos pequenos negócios do setor faturam, em média, até R$ 10 mil por mês, enquanto quase metade não ultrapassa os R$ 7 mil mensais.

O Estado conta hoje com 352,4 mil empresas nesse segmento, formadas majoritariamente por Microempreendedores Individuais (MEIs), micro e pequenas empresas. O investimento inicial médio para abrir o negócio foi de R$ 12.365,56, indicando que muitos empreendedores iniciam suas atividades com capital limitado e alto risco financeiro.

Entre os entrevistados, 48% faturam até R$ 7 mil por mês, sendo que 29% concentram-se na faixa entre R$ 5.001 e R$ 7 mil. No outro extremo, apenas 17% conseguem faturar acima de R$ 30 mil, mostrando que o crescimento ainda é um desafio para a maioria.

O tíquete médio das compras é de R$ 137,07, com diferenças regionais. Na capital paulista, o valor sobe para R$ 150,03, enquanto nos municípios da Região Metropolitana cai para R$ 135,88. Já no interior do Estado, o gasto médio é ainda menor, chegando a R$ 129,73.

Apesar do avanço das vendas online, a loja de rua segue como principal modelo de operação, presente em 79% dos negócios. A atuação exclusivamente digital aparece em apenas 15%, mas o modelo híbrido ganha força: 56% dos empreendedores já vendem tanto no ponto físico quanto no ambiente online.

As redes sociais se consolidaram como ferramentas estratégicas. Para 29% dos empresários, Instagram, Facebook ou WhatsApp são o principal canal de vendas, enquanto 26% ainda dependem principalmente da loja física própria. As plataformas digitais são o principal canal para 8%, com destaque para a Shopee, citada por 30% dos empreendedores que utilizam marketplaces.

O marketing digital aparece como o grande diferencial competitivo do setor. Sete em cada dez empresários acreditam que divulgar bem os produtos é o principal fator de sucesso, seguido por bom atendimento ao cliente (62%) e qualidade dos produtos (59%). Além disso, 63% definem o mix de vendas a partir de tendências observadas na internet, reforçando a importância da presença digital. “A pesquisa revela que boa parte dos empreendedores que têm loja física entendeu a necessidade de combinar esse modelo com as vendas no ambiente digital e o uso das redes sociais para manter a competitividade”, avalia o consultor do Sebrae-SP, Pedro João Gonçalves.

Perfil e sustentabilidade

O levantamento também traça o perfil dos empreendedores do setor. Metade deles (50%) trabalhava com carteira assinada antes de abrir o próprio negócio. As principais motivações são a busca por independência e autonomia (29%) e o desejo de transformar uma ideia ou paixão em empreendimento (23%).

Outro dado que chama atenção é a preocupação crescente com sustentabilidade. 46% dos entrevistados utilizam ou pretendem utilizar embalagens ecológicas, e 86% afirmam conhecer ou aplicar conceitos de economia circular, mostrando que práticas sustentáveis começam a fazer parte da estratégia dos pequenos negócios.

A pesquisa

O estudo foi realizado entre 14 e 27 de junho de 2025, com 800 questionários respondidos por MEIs, micro e pequenas empresas de todo o Estado de São Paulo, oferecendo um retrato atual dos desafios e das oportunidades do pequeno varejo de moda.

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