
Café mais caro muda hábitos e reduz consumo no Brasil

Para muitas pessoas, o dia só começa depois da primeira xícara de café. Ele está na mesa do café da manhã, na pausa do trabalho, na visita em família. Mas, nos últimos tempos, você também percebeu que o café ficou mais caro? E esse aumento já está mudando o comportamento do consumidor brasileiro.
Dados divulgados nesta quinta-feira, dia 29, pela Associação Brasileira da Indústria de Café, a Abic, mostram que o consumo da bebida caiu 2,31% em 2025. No período entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o mercado interno passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 quilos.
E o motivo dessa queda não é mistério. O preço do café para o consumidor subiu 5,8% apenas em 2025, reflexo de um cenário que já vinha pressionado há anos. Segundo a Abic, nos últimos cinco anos, o valor da matéria-prima disparou, sendo 201% no café conilon e 212% no arábica. No varejo, o aumento acumulado chega a 116%, um impacto direto no bolso de quem não abre mão da bebida.
De acordo com o presidente da Abic, esse encarecimento é resultado de safras ruins provocadas por problemas climáticos, além de estoques baixos, tanto no Brasil quanto no exterior. Ainda assim, ele avalia que o desempenho do setor em 2025 foi positivo, mesmo diante da redução no consumo.
E vale destacar, apesar dessa queda, o Brasil segue firme como o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Quando a conta é feita por pessoa, o brasileiro passa na frente, são, em média, 1.400 xícaras de café por ano, por habitante.
Para 2026, a expectativa da Abic é de mais estabilidade nos preços, impulsionada pela entrada de uma safra muito boa. Mas quem espera café mais barato vai precisar de paciência, já que a previsão é que os preços ao consumidor só comecem a cair daqui a duas safras, já que os estoques globais continuam baixos. Até lá, a aposta do setor é em promoções para manter o consumidor por perto.
Outro desafio citado pela entidade está no mercado internacional. Segundo o presidente da Abic, a cadeia do café ainda tenta reduzir as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao café solúvel. Embora o governo norte-americano tenha suspendido, no fim do ano passado, a taxa de 40% sobre o café em grão, o produto solúvel segue sendo taxado.
No fim das contas, o café continua sendo paixão nacional, talvez em menor quantidade, mas ainda com o mesmo sabor de hábito, tradição e afeto.
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