
Violência sexual lidera violações contra crianças e adolescentes em Uberaba

Um levantamento recente acende um sinal de alerta sobre a proteção de crianças e adolescentes. Entre janeiro e agosto de 2025, foram registradas 335 violações de direitos no município, com destaque para a violência sexual, que lidera as notificações no período.
De acordo com dados do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência, alimentado pelos conselhos tutelares, 171 ocorrências foram classificadas como abuso sexual. O relatório também contabiliza 72 casos de violência física e 46 de violência psicológica. Entre as notificações de violência sexual, aparecem ainda 68 registros de estupro de vulnerável.
O levantamento traz um recorte do perfil das vítimas e aponta que meninas concentram a maior parte das notificações, com maior incidência entre crianças e adolescentes pardas e pretas. O documento, no entanto, chama atenção para a quantidade significativa de registros sem informação de raça ou cor, o que dificulta análises mais detalhadas sobre desigualdades raciais associadas às ocorrências.
No mapeamento territorial, o monitoramento identificou casos em 77 bairros, com maior concentração em regiões como Rio de Janeiro e Residencial 2000. Ao analisar as áreas de abrangência dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), o relatório aponta maior incidência nas regiões atendidas pelas unidades da Vila Paulista, Abadia e Morumbi.
O estudo foi elaborado pelo Departamento de Vigilância Socioassistencial, da Secretaria de Desenvolvimento Social, com apoio do Laboratório de Cartografia e Geoprocessamento da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).
Para o secretário de Desenvolvimento Social, Ernani Neri, os dados reforçam a necessidade de fortalecer ações articuladas da rede de proteção. “Os dados demonstram que a violência contra crianças e adolescentes, especialmente a violência sexual, permanece como um desafio central para o município, exigindo respostas preventivas, integradas e contínuas da nossa rede de proteção social”, afirmou.
Segundo o secretário, a proposta é que o relatório passe a ser produzido semestralmente, garantindo dados atualizados e subsidiando de forma mais eficiente as ações de enfrentamento e prevenção à violência.
Fonte: JM Online
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