“Eu fui condenada junto com a minha filha”: mãe de Gabriela se revolta após julgamento em Franca

Réu que matou Gabriela a socos e escondeu o corpo debaixo da cama foi condenado a 7 anos em regime semiaberto; mãe de 63 anos desabafa e diz se sentir também condenada.
29/08/2025 às 10h36
 - Atualizado há 11 meses
Montagem com duas fotos. À esquerda, aparece um homem em pé, de perfil, vestindo camisa polo cinza-escura, com expressão séria. À direita, uma mulher de cabelo escuro e blusa listrada está sentada à mesa, sorrindo, e recebe um abraço de outra mulher mais velha, de cabelo curto e grisalho, que também sorri.
À esquerda, o réu Luiz Antônio Silva de Sousa, condenado pela morte de Gabriela. À direita, Gabriela de Almeida (sentada) ao lado da mãe, Sandra Almeida — Foto: Reprodução

O julgamento de Luiz Antônio Silva de Sousa, acusado de matar Gabriela de Almeida, de 30 anos, aconteceu nesta quinta-feira, 28, no Fórum de Franca. O réu foi condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto, mais de dois anos após o crime ocorrido em março de 2023. Durante todo esse tempo, Luiz Antônio nunca chegou a ser preso – nem preventivamente.

O crime

Gabriela, que trabalhava como esteticista e manicure, além de vender sacolés, enfrentava dependência química. Na noite de 18 de março de 2023, após deixar a casa do namorado, com quem mantinha um relacionamento abusivo, ela encontrou Luiz Antônio, a quem não conhecia.

Segundo o depoimento do acusado, ao chegar em casa, no Jardim Aeroporto III, teria sido surpreendido por Gabriela, que o atacou com uma garrafa em meio à escuridão – já que sua residência estava sem energia, por causa do furto da fiação elétrica. Ele afirmou ter reagido com diversos socos, até a vítima cair inconsciente e sangrando.

Sem saber o que fazer, Luiz Antônio enrolou o corpo em cobertores e o escondeu debaixo da cama. No dia seguinte, comprou combustível e chegou a cavar uma cova para enterrá-la, mas desistiu. Três dias depois, já com o corpo em decomposição, procurou a polícia e confessou o crime.

Exames periciais detectaram a presença de sêmen no corpo da vítima, mas não foi possível determinar se houve relação sexual consensual ou violência.

O julgamento

Durante o júri, Luiz Antônio voltou a sustentar que agiu em legítima defesa, alegando ter sido atacado por Gabriela. A versão, porém, não convenceu a mãe da vítima, Sandra Almeida, de 63 anos, que acompanhou todo o julgamento.

O desabafo da mãe

Muito abalada, Sandra deixou o tribunal com a sensação de que a filha havia sido duplamente vítima: do crime e da Justiça.
“Olha, é muito revoltante… porque, para mim, foi como destampar o caixão da minha filha e vê-la toda destroçada pela força da mão daquele indivíduo. Isso me deixou indignada. Eu não sou contra o júri, nem contra o juiz, mas sou totalmente contra a lei do nosso país. É impossível que uma pessoa que faça o que ele fez saia de lá dando um tchauzinho para a imprensa e para a mãe da assassinada.”

Sandra rebateu a tese da defesa:
“Legítima defesa de quê? Minha filha tinha 1,57 m. No corpo dela não havia uma marca de defesa, e no corpo dele não tinha um machucado sequer. Ele mentiu o tempo todo, é um ator de primeira grandeza. Eu quase levei um lenço para enxugar as lágrimas dele no tribunal.”

“Eu também fui condenada”

A mãe afirmou que a sensação é de carregar uma pena perpétua:
“Ele não foi condenado à prisão, mas eu sim. Estou condenada a viver o resto dos meus dias com essa ausência, com essa culpa. Dentro daquele tribunal, eu senti que eu é que era culpada. O que foi roubado ali não foi fio de cobre, foi a vida da minha filha.”

Indignação com a pena

Sandra também fez críticas à legislação brasileira e pediu mudanças:
“A vida humana hoje paga com sete anos de prisão em regime semiaberto. Então eu também posso sair matando, porque foi isso que eu ouvi ali. Ele deu um tchauzinho como quem dissesse: ‘Hasta la vista, na próxima eu volto’.”

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