“Ele achava que ela era propriedade dele”, afirma irmã de mulher morta pelo companheiro em Franca

Jovem foi assassinada pelo companheiro em 2024. Primeira audiência do caso está marcada para o dia 8 de julho
04/07/2025 às 09h25
 - Atualizado há 1 ano
Montagem com duas fotos lado a lado. À esquerda, um homem de cabeça raspada, barba cheia e expressão séria aparece de frente para a câmera, usando uma camisa azul com o logotipo de uma empresa bordado no peito. À direita, uma mulher jovem sorri levemente; ela tem cabelo liso e claro, sobrancelhas marcadas, usa maquiagem e veste uma blusa preta de alça. Ela também tem uma tatuagem visível no ombro.
James Cristian dos Reis, preso pelo assassinato da companheira Amanda Maria de Farias Araújo, de 27 anos, atropelada em Franca (SP) em novembro de 2024 — Foto: Reprodução

A família de Amanda Maria de Farias Araújo, de 27 anos, ainda vive o luto e busca por justiça quase oito meses após o feminicídio que chocou a cidade de Franca (SP). A jovem foi atropelada de forma brutal pelo próprio companheiro, James Cristian dos Reis, que está preso desde o dia do crime. A primeira audiência do caso está marcada para o próximo dia 8 de julho.

Em entrevista exclusiva à Rede Zebu FM, a irmã da vítima, Sabrina Farias, que mora nos Estados Unidos, falou pela primeira vez sobre o caso. Emocionada, ela contou sobre a dor da perda, a luta por justiça e o vínculo especial que mantinha com Amanda.

“Mesmo morando longe, a gente criou um vínculo muito grande. Toda semana nos falávamos. Eu já tinha até comprado presentes pra ela, que foi ela mesma quem escolheu. Agora eu pego o telefone e espero uma mensagem… mas ela não está mais lá pra responder.”

Sabrina também falou sobre a expectativa da família para a audiência de instrução.

“A gente quer que ele vá a júri popular e que pegue o máximo de pena. A Amanda foi tirada da gente de forma cruel, injusta. A gente só quer justiça.”

De acordo com a investigação, James perseguiu Amanda com o carro da empresa onde trabalhava e a atropelou deliberadamente após descobrir um suposto relacionamento extraconjugal da companheira. Em seguida, ele tentou fugir e ainda tentou roubar o carro de uma mulher, dizendo que havia acabado de matar a esposa. A denúncia do Ministério Público inclui feminicídio qualificado e tentativa de roubo.

Sabrina acredita que o crime foi premeditado.

“Não foi um impulso. Ele jogou as roupas dela na rua, pegou o carro e foi atrás. Me mandou mensagens logo depois… e chegou a dizer que ainda bem que o Bernardo, meu sobrinho, não estava lá. Como se aquilo fosse algo planejado.”

Ela também revelou que Amanda já havia tentado deixar o companheiro outras vezes e vivia sob controle emocional e psicológico.

“Ela dizia que queria sair de casa, que tinha medo. Ele usava muito o lado emocional… falava que não vivia sem ela, que ela era dele. Era um relacionamento de posse. Ela estava acuada.”

Questionada sobre a lembrança mais marcante da irmã, Sabrina contou com carinho sobre a última vez que esteve no Brasil:

“Ela foi me buscar no aeroporto, preparou uma mesa cheia de coisas que eu gosto. Ela era a alegria da família. Onde chegava, levava luz. No trabalho, em casa, com os amigos… Amanda era amada por todos. Sempre disposta a ajudar. Sempre com um sorriso.”

O julgamento ainda não tem data marcada, mas a audiência do dia 8 de julho será decisiva para definir se o réu vai ou não a júri popular.

“A justiça não vai trazer minha irmã de volta, mas é tudo o que nos resta agora. Porque a dor da perda, essa nunca vai passar”, concluiu Sabrina.

Amanda Araújo sorri de braços abertos em um campo florido de girassóis, durante o pôr do sol. Ela veste uma blusa preta de manga comprida e calça rosa, e segura um celular na mão direita. Ao fundo, o céu alaranjado completa a paisagem iluminada pela luz suave do fim de tarde.
Amanda Maria de Farias Araújo, de 27 anos, aparece sorridente em um campo de girassóis. A jovem foi vítima de feminicídio em Franca (SP), em novembro de 2024

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio