
“Ele achava que ela era propriedade dele”, afirma irmã de mulher morta pelo companheiro em Franca

A família de Amanda Maria de Farias Araújo, de 27 anos, ainda vive o luto e busca por justiça quase oito meses após o feminicídio que chocou a cidade de Franca (SP). A jovem foi atropelada de forma brutal pelo próprio companheiro, James Cristian dos Reis, que está preso desde o dia do crime. A primeira audiência do caso está marcada para o próximo dia 8 de julho.
Em entrevista exclusiva à Rede Zebu FM, a irmã da vítima, Sabrina Farias, que mora nos Estados Unidos, falou pela primeira vez sobre o caso. Emocionada, ela contou sobre a dor da perda, a luta por justiça e o vínculo especial que mantinha com Amanda.
“Mesmo morando longe, a gente criou um vínculo muito grande. Toda semana nos falávamos. Eu já tinha até comprado presentes pra ela, que foi ela mesma quem escolheu. Agora eu pego o telefone e espero uma mensagem… mas ela não está mais lá pra responder.”
Sabrina também falou sobre a expectativa da família para a audiência de instrução.
“A gente quer que ele vá a júri popular e que pegue o máximo de pena. A Amanda foi tirada da gente de forma cruel, injusta. A gente só quer justiça.”
De acordo com a investigação, James perseguiu Amanda com o carro da empresa onde trabalhava e a atropelou deliberadamente após descobrir um suposto relacionamento extraconjugal da companheira. Em seguida, ele tentou fugir e ainda tentou roubar o carro de uma mulher, dizendo que havia acabado de matar a esposa. A denúncia do Ministério Público inclui feminicídio qualificado e tentativa de roubo.
Sabrina acredita que o crime foi premeditado.
“Não foi um impulso. Ele jogou as roupas dela na rua, pegou o carro e foi atrás. Me mandou mensagens logo depois… e chegou a dizer que ainda bem que o Bernardo, meu sobrinho, não estava lá. Como se aquilo fosse algo planejado.”
Ela também revelou que Amanda já havia tentado deixar o companheiro outras vezes e vivia sob controle emocional e psicológico.
“Ela dizia que queria sair de casa, que tinha medo. Ele usava muito o lado emocional… falava que não vivia sem ela, que ela era dele. Era um relacionamento de posse. Ela estava acuada.”
Questionada sobre a lembrança mais marcante da irmã, Sabrina contou com carinho sobre a última vez que esteve no Brasil:
“Ela foi me buscar no aeroporto, preparou uma mesa cheia de coisas que eu gosto. Ela era a alegria da família. Onde chegava, levava luz. No trabalho, em casa, com os amigos… Amanda era amada por todos. Sempre disposta a ajudar. Sempre com um sorriso.”
O julgamento ainda não tem data marcada, mas a audiência do dia 8 de julho será decisiva para definir se o réu vai ou não a júri popular.
“A justiça não vai trazer minha irmã de volta, mas é tudo o que nos resta agora. Porque a dor da perda, essa nunca vai passar”, concluiu Sabrina.

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