A dor por trás da aventura: o que leva alguém a se arriscar tanto?

A Psicóloga Danny Silva analisa as motivações inconscientes por trás da busca extrema por adrenalina e revela como o desejo de pertencimento pode esconder traumas familiares profundos.
27/06/2025 às 13h18
 - Atualizado há 1 ano

A morte da jovem Juliana Marins, que faleceu ao fazer uma trilha no vulcão Rinjani, na Indonésia, reacendeu um questionamento antigo e inquietante: por que algumas pessoas sentem necessidade de viver perigosamente?

Especialista em Terapia Sistêmica, a psicóloga Danny Silva propõe uma reflexão que vai além do prazer pela adrenalina. Para ela, em muitos casos, o risco extremo pode ser um sintoma silencioso de lealdades invisíveis e dores transgeracionais.

O que está por trás da busca pela adrenalina?

A recente tragédia envolvendo Juliana Marins, jovem brasileira que perdeu a vida enquanto percorria a trilha do vulcão Rinjani, gerou comoção e reflexão. Em sua última postagem, Juliana afirmava estar “vivendo um sonho”. Mas o que pode levar alguém a viver tão intensamente — a ponto de ultrapassar os próprios limites?

A psicologia moderna tem buscado compreender esse fenômeno sob diferentes óticas. Já a terapia sistêmica oferece uma lente singular, focando nas dinâmicas familiares invisíveis que muitas vezes operam no inconsciente daqueles que se colocam repetidamente em risco.

Quando a aventura esconde um grito

Para muitos, a busca por adrenalina está associada ao prazer, à conquista, à superação. Mas, segundo a terapeuta, esse comportamento pode também esconder um grito silencioso: o desejo de ser visto, de pertencer, de compensar algo que faltou — ou que feriu demais.

“Alguns comportamentos extremos não são aleatórios. Eles seguem uma lógica afetiva invisível, profundamente conectada à história familiar de cada indivíduo”, pontua a psicóloga.

No olhar sistêmico, essas atitudes podem ser reflexo de:

  • Lealdades invisíveis a membros da família que foram excluídos ou sofreram;
  • Tentativas inconscientes de compensar perdas ou injustiças que marcaram o sistema familiar;
  • Inversão de papéis, quando filhos tentam ocupar o lugar dos pais ou “salvar” figuras ancestrais.

“Estou me arriscando por mim ou por alguém que nunca me viu?”

Quando uma pessoa se coloca em risco constante, pode estar tentando honrar destinos trágicos de sua linhagem, reparar uma dor que não é sua ou chamar a atenção de um sistema que a ignorou.

“Essas dinâmicas não são conscientes. A pessoa sente o impulso, mas muitas vezes não sabe de onde ele vem. Por isso é tão importante trazer à luz esses movimentos ocultos”, explica Danny Silva.

“Quando o risco deixa de ser fuga e passa a ser escolha, a vida ganha outro significado”, reforça.

Uma nova pergunta

Talvez, em vez de perguntar apenas “por que você se arrisca tanto?”, a questão mais honesta seja: “de quem você sente falta? Para quem você está tentando provar que é forte?”

Para a psicóloga, não existe comportamento sem contexto. E, quando esse contexto é revelado, inicia-se um caminho possível de cura.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio