Polícia investiga mulher suspeita de manter 73 gatos em condições insalubres e vender sangue dos animais para clínicas veterinárias

Mandado de busca revelou ambiente degradante e indícios de comercialização irregular de bolsas de sangue felino. Suspeita nega as acusações.
17/04/2025 às 13h47
 - Atualizado há 1 ano
Interior de um cômodo com piso de cerâmica avermelhada, sujo com fezes de animais e manchas escuras. No canto esquerdo, há um pote azul com ração. No fundo da sala, sobre um estrado de madeira coberto com um lençol estampado, estão vários gatos, a maioria de pelagem preta e branca. As paredes estão encardidas, e o ambiente aparenta estar em condições precárias de higiene.
📸 Divulgação

A Polícia Civil investiga um caso grave de maus-tratos a animais em Jaboticabal–SP. Nesta quarta-feira, 16, uma operação resultou no resgate de 73 gatos mantidos em condições precárias em uma casa no bairro Solar Corinthiano. A moradora do imóvel, uma mulher cuja identidade não foi divulgada, é suspeita de coletar sangue dos animais e vendê-lo ilegalmente a clínicas veterinárias.

Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram dezenas de seringas, um caderno com anotações financeiras e comprovantes de depósitos que variam entre R$ 300 e R$ 920. Segundo o delegado responsável pelo caso, Oswaldo José da Silva, os documentos reforçam a hipótese de um esquema de comercialização clandestina de sangue felino.

Segundo ele, o crime de maus-tratos está evidente pelas condições insalubres nas quais os gatos eram mantidos — um ambiente sem higiene, sem ventilação e sem condições adequadas para a sobrevivência dos animais. Ainda conforme o delegado, a forma como o sangue era coletado também configura maus-tratos, já que impunha sofrimento direto aos bichos. A Polícia ainda apura se os gatos eram mantidos no local com a finalidade exclusiva de fornecer sangue para clínicas veterinárias.

Interior de um cômodo com piso de cerâmica avermelhada, sujo com fezes de animais e manchas escuras. No canto esquerdo, há um pote azul com ração. No fundo da sala, sobre um estrado de madeira coberto com um lençol estampado, estão vários gatos, a maioria de pelagem preta e branca. As paredes estão encardidas, e o ambiente aparenta estar em condições precárias de higiene.
📸 Divulgação

Os animais foram resgatados com o apoio de servidores da Prefeitura de Jaboticabal e de profissionais da Unesp. Eles foram encaminhados a um abrigo provisório, onde passam por exames médicos. Muitos deles estavam extremamente debilitados, magros e com dificuldade de locomoção. Os policiais encontraram os gatos confinados em dois cômodos nos fundos da casa, sendo que um deles estava completamente tomado por fezes.

A moradora foi conduzida à delegacia, onde prestou depoimento e, em seguida, foi liberada. Ela negou a prática de maus-tratos e também a venda do sangue dos animais. Alegou ainda que as seringas encontradas eram utilizadas para administrar medicamentos, mas nenhum tipo de remédio foi encontrado no local.

Ainda segundo o delegado, a mulher afirmou que os depósitos bancários registrados nos cadernos seriam ajudas financeiras de familiares, mas a Polícia considera essa justificativa pouco crível, diante da quantidade de registros e dos valores envolvidos.

A investigação começou cerca de um mês antes da operação, após denúncias anônimas sobre o estado dos animais e a possível prática irregular. Agentes da Vigilância Sanitária chegaram a tentar acessar o imóvel anteriormente, mas foram impedidos pela mulher. Com a autorização judicial emitida nesta semana, os policiais civis conseguiram entrar na casa e constataram a gravidade da situação.

A Polícia Civil agora busca identificar quais clínicas veterinárias podem ter comprado o sangue, além de verificar a finalidade do material e confirmar se houve pagamento direto à mulher.

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