Darcy Vera é flagrada em escutas telefônicas da Polícia Federal

Escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça e obtidas com exclusividade pelo Jornal da EPTV mostram a prefeita de Ribeirão Preto (SP), Dárcy Vera (PSD), discutindo uma suposta compra de apoio político na Câmara. A chefe do Executivo é um dos a
02/09/2016 às 00h00
 - Atualizado há 10 anos

Escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça e obtidas com exclusividade pelo Jornal da EPTV mostram a prefeita de Ribeirão Preto (SP), Dárcy Vera (PSD), discutindo uma suposta compra de apoio político na Câmara. A chefe do Executivo é um dos alvos da Operação Sevandija, deflagrada nesta quinta-feira (1º) pela Polícia Federal e o Gaeco, que investiga fraudes estimadas em R$ 203 milhões nas licitações da administração municipal.

O Ministério Público informou que as suspeitas envolvendo a prefeita foram encaminhadas à Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, a quem cabe investigar os chefes do Executivo, com foro privilegiado.

Dárcy Vera não quis falar sobre o assunto. Em nota, informou que está à disposição para prestar esclarecimentos, que colabora com as investigações e que confia na Justiça.

Gravações autorizadas pela Justiça
Nas conversas gravadas no dia 15 de junho deste ano com o então superintendente do Daerp, Marco Antônio dos Santos, preso nesta quinta-feira na Operação Sevandija, Dárcy discute sobre a aprovação na Câmara dos Vereadores de um projeto para a transferência de recursos de um fundo para os cofres municipais, em que os parlamentares da base aliada, Maurílio Romano (PP) e Evaldo Mendonça (PTB), o Giló, genro dela, votaram contra.

Os dois parlamentares também são investigados na operação e foram alvos de conduções coercitivas, quando a pessoa é levada para prestar depoimento, nesta quinta-feira. Eles e outros sete vereadores da base aliada tiveram os mandatos suspensos.

Dárcy: “É fim. Chega. Vota contra. Pode votar contra. Fica a vontade. Mas tira todos os seus cargos do governo hoje. Cara, não votar algo? O cara tá cheio de gente no governo. Manda embora. Não é porque é meu genro não”.

Dárcy: “Tá asfaltando as ruas do Ipiranga , eu vou mandar parar as ruas do Ipiranga. Quer medir força? Vamos medir. Maurílio diz que não tem um monte de interessado? Vou chamar ele pra ir na delegacia dar o nome dos interessados. Porque eu tenho a lista de todos os que você passou pela Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento. Você não brinca comigo não, Maurílio. Eu não tenho medo de você. Você enterra a minha carreira e eu enterro a sua. Eu tô com o saco cheio desse povo . Eu não suporto mais. Eu cheguei no meu limite”.

Cargos no Daerp Em outro trecho, Dárcy fala sobre demitir funcionários indicados por vereadores e os contratados de forma irregular, caso os parlamentares não votem projetos de interesse da Prefeitura. Ela afirma que vai chamar Romano para uma conversa.

Dárcy: “Não brinca comigo, não. Se eu abrir a boca, só elege dois na câmara, da nossa base. Só elege dois. E eu não tô brincando. Acaba com a minha carreira eu vou acabar com a carreira de todo mundo. Cansei, Marco.”

Dárcy: “Peita os caras, manda os quase 60 embora do Maurílio pra ver se ele aguenta essa campanha.”

Santos: “Não é esse o caminho, você sabe que não é”.

Dárcy: “Ele não consegue segurar 60 pessoas desempregadas, na rua. Ele não dá conta”.

Santos: “Tá bom, eu vou fazer isso. Agora quero ver você segurar. Eu vou fazer isso. Vou chegar e dou um limpa no Giló e um limpa no Maurílio. A semana que vem dá um desespero em todo mundo, não resolveu nada. Definitivamente, perdemos dois votos. Depois de uma coisa dessa, não tem volta”.

Darcy: “Pô, cara! O cara tem que ter um pingo de gratidão!”

Santos: “Que gratidão? Gratidão em política, Dárcy? Isso aí não existe. Isso aí você sabe que não existe. Só existe interesse”.

Fonte: G1 Ribeirão Preto

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