Botox é só para fins estéticos? Conheça outros usos para a toxina botulínica

Aprovada no Brasil desde 1992, Botox (Toxina Botulínica A - Toxina Onabotulínica A) é muito utilizada, não só para fins estéticos, mas também para o tratamento de doenças (terapêutico). Por ser pioneira e com eficácia clínica comprovada cientificamente, e
06/08/2014 às 00h00
 - Atualizado há 12 anos

Aprovada no Brasil desde 1992, Botox (Toxina Botulínica A – Toxina Onabotulínica A) é muito utilizada, não só para fins estéticos, mas também para o tratamento de doenças (terapêutico). Por ser pioneira e com eficácia clínica comprovada cientificamente, esta toxina botulínica se tornou a maior referência da categoria.

Mas, nem toda toxina botulínica disponível no mercado é Botox. Muitas pessoas se referem à toxina como se mencionassem uma classe de medicamento, confundindo o produto com outras marcas comerciais. Diferente dos medicamentos que compramos em farmácia, o medicamento biológico é produzido a partir de substâncias de origem biológica, como os micro-organismos, órgãos e/ou tecidos de origem animal ou vegetal e, por isso, é impossível conseguir os mesmos efeitos de produtos que aparentemente são iguais.

Seja para fins estéticos ou terapêuticos, para que o tratamento tenha sucesso, o responsável não só pela escolha da marca, mas também pela quantidade a ser utilizada e pelo local de aplicação deve ser sempre o médico. Esse profissional deve entender a diferença entre todas as marcas antes de fazer qualquer aplicação, mas é importante que os pacientes questionem e verifiquem se a embalagem da toxina botulínica A que será utilizada é realmente a recomendada.

Segundo a Prof. Dra. M. Matilde M. Sposito, médica fisiatra do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo, cada toxina botulínica tem mais do que características e níveis de efeitos adversos distintos. “A principal diferença está na formulação, pois, como não é possível desenvolver opções genéricas dos medicamentos biológicos, cada um foi desenvolvido com uma composição, o que proporciona potência e duração de resultados diferentes. Caso o medicamento aplicado não seja o mais indicado ao caso, o tratamento poderá ser comprometido”, afirma a médica.

No Brasil, cinco marcas são aprovadas para a função terapêutica pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária -, mas nem todas são aprovadas para os mesmos tratamentos. No caso de Botox, da farmacêutica Allergan, pessoas com distonia, estrabismo, blefaroespasmo, espasmo hemifacial, linhas faciais hipercinéticas, espasticidade, hiperidrose, bexiga hiperativa e migrânea crônica, popularmente conhecida como enxaqueca crônica, podem ser tratadas com o medicamento em clínicas médicas de todo o Brasil.

Mecanismo de ação

Independentemente da doença a ser tratada, a principal via de aplicação do medicamento é intramuscular, sendo injetado diretamente no músculo alvo.

“A toxina botulínica A tem a função de relaxar as fibras musculares, minimizando as contrações involuntárias ou a rigidez excessiva, o que possibilita tratar não só as doenças diretamente ligadas a isso, como a distonia, mas também as doenças que necessitam que o músculo esteja relaxado para que outras técnicas possam ser aplicadas, como a fisioterapia em pacientes com espasticidade decorrente de lesão medular ou AVC – acidente vascular cerebral”, comenta a Dra. Matilde.

Quando um paciente recebe a aplicação da toxina botulínica A, demora, em média, de três a cinco dias para começar a sentir os efeitos, e os resultados variam de acordo com a patologia e as características de cada um, variando entre 90 e 120 dias.

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