
Para membro do Cremesp alta demanda e poucos profissionais são principais problemas do pronto socorro
A CEI da saúde ouviu, na noite desta quarta-feira (16), o conselheiro do Cremesp Dr. Lavínio Nilton Camarim. Durante a audiência, ele esclareceu como está o andamento das sindicâncias contra o pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz” e garantiu que o local possui estruturas adequadas para atender à população.
Lavínio é um dos responsáveis por acompanhar as sindicâncias abertas pelo Conselho na apuração da conduta dos médicos envolvidos nas quatro mortes suspeitas que aconteceram após os pacientes serem atendidos no pronto-socorro. O local é acusado, pelos familiares das vítimas, de descaso e negligência.
A primeira questão respondida pelo conselheiro foi sobre uma entrevista que ele concedeu a uma rádio da cidade, na qual teria dito que tem medo de levar alguém para ser atendido no pronto-socorro adulto. “Talvez eu tenha sido interpretado mal ou me fiz ser interpretado mal. Eu disse que eu tenho receio de todo local do qual eu não conheço nenhum médico que está me atendendo. E no Álvaro Azzuz não é diferente”, corrigiu.
Outra correção feita por ele foi sobre o caso de Luara Pietro, que morreu após passar oito vezes pelo PS. De acordo com o questionamento da vereadora Valéria Marson (PSDB), presidente da CEI, teria sido dito, em outra audiência, que o caso da moça estava encerrado. Contudo, tal informação não procede. “Tudo corre em sigilo. Mas eu posso dizer que não há conclusão nenhum, porque quem julga é o Cremesp, e ainda não demos parecer final nem conclusão. Ainda estamos em fase de diligência”, disse. Ainda de acordo com o conselheiro, nenhum dos quatro casos investigados está concluído. “Essa investigação ainda deve se arrastar por mais um tempo”, afirmou.
Providências
Antes de falar sobre as providências que estão sendo tomadas em relação às denúncias, o conselheiro fez questão de ressaltar que o “Álvaro Azzuz” tem capacidade para atender. “Na realidade, a fiscalização que o Cremesp fez aponta que as estruturas estão muitos melhores que a do antigo Janjão. (…) Nós vimos que a estrutura física evoluiu muito, ao mesmo tempo em que continua com alguns problemas de atendimento”, esclareceu.
Segundo Lavínio, o Cremesp está “tomando as medidas pertinentes. Todos esses casos têm sindicância. Não só esses, mas muitos outros”. O envolvimento do órgão é de suma importância, uma vez que ele é o único com poder de emitir um parecer sobre possíveis erros médicos.
O conselheiro explicou que já vem realizando reuniões – duas, até o momento – para alertar os setores de atendimento para melhorar o serviço e garantir que os francanos não temam o atendimento. “Não é para as pessoas se afastarem do atendimento. Mas exigir um bom atendimento, um atendimento adequado. (…) E não sair na agressão física. Se estiver insatisfeito, procure os órgãos responsáveis e até a polícia”, ressaltou.
Questionado sobre a postura que vem sendo cobrada das instituições de saúde, Lavínio voltou a falar sobre as sindicâncias, mas esclareceu que, quando a cobrança não é atendida, os profissionais responsáveis (diretor clínico e diretor técnico) podem vir a ser processados. Ele também garantiu que será implantado um protocolo fixo de atendimento, para que os médicos já saibam o caminho a seguir conforme os sintomas apresentados pelo paciente. Para a vereadora Valéria, é estranho o fato desse protocolo já não existir.
Na sua vez de perguntar, Daniel Radaeli (PMDB), terceiro membro da CEI, foi direto ao ponto e questionou se realmente havia necessidade de oito atendimentos no caso da Luara. Mas Lavínio foi taxativo ao dizer que não pode, ainda, dar detalhes do que foi avaliado, já que a investigação é sigilosa.
Sobre o tempo das consultas, que vem sendo apontado como muito rápido, ele garantiu que não há como determinar um tempo certo de atendimento, uma vez que depende de cada caso, podendo ser bem realizado em poucos minutos ou demorar mais. “O que acontece lá é a alta demanda e a falta de profissionais. (…) Ele, assim como outros do Brasil, acabou virando pronto-atendimento”. Com isso, o conselheiro se referiu ao fato de atender a outros casos além de urgência e emergência.
O médico disse acreditar que a solução para parte do problema seria a municipalização completa do SUS. “Nós precisamos somar forças e trazer a questão para o quintal da nossa casa”, garantiu.
Assim como na audiência da semana passada, Laércinho (PP) precisou substituir um membro da Comissão, já que Márcio do Flórida (PT), relator, não pode participar. Ao final, Valéria pediu que constasse em ata que a prefeitura não indicou nenhum advogado para acompanhar a sessão.
A oitiva desta quarta-feira foi a 8ª audiência da CEI da Saúde.
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