
Prefeito afirma: “O que a gente acha é que a greve não vai surtir efeito”
Ao que tudo indica, a greve dos servidores públicos ainda está longe de terminar. Tal previsão é possível uma vez que, em coletiva concedida na tarde desta terça-feira (25), o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) voltou a garantir que é impossível renegociar o reajuste salarial da classe.
De acordo com ele, que estava acompanhado do vice, Fernando Baldocchi (PMDB), foi necessária a convocação, de última hora, da coletiva, já que, “ao que parece, o sindicato vive na ‘boataria’. (…) E daqui eu já vou pra outro lado, porque eu tenho outras coisas para fazer na prefeitura que não só ficar tomando conta de movimento de sindicato”, pontuou.
Prefeito sorrindo durante coletiva / Foto: Amanda Pioli
Ele, então, pediu desculpas à população e garantiu que “nós entendemos as reivindicações. E a prefeitura gostaria de oferecer mais. Mas não podemos ser irresponsáveis. Não temos como assumir esse gasto (…). Não temos esse dinheiro. Não podemos comprometer o orçamento e os serviços prestados aos cidadãos”, garantiu.
Com base da lei de responsabilidade e com o novo reajuste concedido, no valor de 5,38%, Alexandre garante que o orçamento já fica no limite, atingindo 52,65%. “Estamos assumindo o risco até em dar o cartão e ter que diminuir funcionários”, explicou.
Além de negar a possibilidade do reajuste, Alexandre garantiu que “está descartada” a possibilidade de passar a verba do vale-alimentação para o sindicato administrar, item que está entre as exigências dos servidores. De acordo com ele, destinar a verba – que no valor solicitado pela classe seria algo em torno de R$ 26 milhões – seria irresponsabilidade e lembrou que quando, no passado, a administração fez isso, os servidores ficaram sem receber.
Ainda sobre o assunto, ele explicou que propôs que o vale fosse concedido a partir de outubro, já que será necessário abrir um processo de licitação para escolher a operadora que administrará o benefício.
Durante toda sua fala, o prefeito fez questão de assegurar que está e sempre esteve aberto à negociação e que o sindicato sempre pode acompanhar o limite orçamentário da prefeitura. “Não dá agora para simplesmente falar que não sabia de nada ou que está errado”, afirmou.
Ainda segundo ele, das 32 propostas iniciais, a prefeitura acatou quase todas. Contudo, mesmo aberto a negociações, ele explicou que vai negociar apenas o plano de demissão voluntária e o tempo de jornada diária. “A prefeitura já aceitou sim discuti-los. (…) Mas não recebemos nada do sindicato até agora. Nenhuma proposta”. Um detalhe importante é que, segundo Alexandre, as negociações serão retomadas apenas no momento em que os serviços forem normalizados.
Apesar de todos os problemas, Alexandre parecia despreocupado. Diante de todas as reivindicações e da insistência dos servidores em fazer greve, ele avaliou que a paralisação já estava certa mesmo antes das negociações. “O que a gente entende é que a greve já estava pronta. Ia acontecer independente do que a gente oferecesse”, ressaltou. Perguntado sobre se haverá desconto no salário dos servidores pelos dias de paralisação, ele não titubeou: “Com certeza”.
Alexandre acredita a greve foi utilizada para fazer reivindicação política “pura e simplesmente” e que os servidores estão sendo “usados”. “O que a gente acha é que ela não vai surtir efeito. E se isso se arrastar, o servidor vai ficar sem reajuste”, ressaltou.
Na Câmara
Após um boato de que o prefeito teria protocolado um pedido de urgência para aprovar o novo projeto de lei que propõe reajuste de 5,38%, grande números de servidores compareceu a sessão da Câmara para impedir tal votação. Contudo, embora o projeto tenha sido realmente protocolado, não houve pedido de urgência.
Servidores lotaram a Câmara / Foto: William Veríssimo
“Não havia previsão de votação do projeto. Mas, mais uma vez, eles tentaram sensibilizar os vereadores no sentido de obter um percentual melhor dentro da reivindicação salarial dos servidores”, explicou o vereador Pastor Otávio Pinheiro (PTB). Na tribuna, o presidente do Sindicato, Luiz Fernando Nascimento, garantiu que não adianta votar em um projeto que não foi negociado com os servidores.
“Eu entendo que a Câmara vai acatar esse pedido até que o prefeito negocie com o sindicato. A hora que houver o sinal verde do sindicato, nós votaremos. Porque uma greve nessa proporção traz muito prejuízo para a cidade”, afirmou Otávio.
Outro fato esclarecido pelo presidente da Casa, Jépy Pereira, foi a recusa do prefeito em aceitar a presença dos vereadores Luiz Vergara (PSB) e Nirley Souza (DEM) em um rodada de negociação. Segundo ele, o problema foi um erro da Câmara que não avisou Alexandre que ambos faziam parte de uma comissão criada para acompanhar a situação.
Diante do esclarecimento, Luiz Vergara (PSB) retirou uma moção de repúdio que estava em pauta e solicitou ao presidente que seja marcada com uma reunião com o prefeito na manhã desta quarta-feira (26).
Veja também:
Servidores públicos continuam manifestando em frente a prefeitura
Cerca de mil servidores em greve “cercam” a Prefeitura e param Franca
Portas fechadas! Servidores de Franca paralisam suas atividades a partir de segunda-feira
Prefeito oferece R$ 200 de vale-alimentação para servidores; Setor deve ser paralisado
Nova rodada de negociações entre servidores e prefeitura não tem muitos avanços
graça no seu WhatsApp


