“Ele sempre foi muito arrogante”, dizem servidores ao anunciar greve

Os servidores públicos de Franca declararam, na manhã deste sábado (15), estado de greve. Na segunda-feira (17), começam os procedimentos legais e, no máximo, até a próxima semana, todos os setores estarão paralisados. Esse foi o resultado da assembleia e
15/03/2014 às 00h00
 - Atualizado há 12 anos

Os servidores públicos de Franca declararam, na manhã deste sábado (15), estado de greve. Na segunda-feira (17), começam os procedimentos legais e, no máximo, até a próxima semana, todos os setores estarão paralisados. Esse foi o resultado da assembleia em que ficou claro o descontentamento dos funcionários públicos com os rumos da administração do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB).

Servidores declaram greve / Foto: Amanda Pioli

Antes de ser lida a proposta do prefeito sobre o reajuste da classe, o tema da reunião foi a forma com que Alexandre vem lidando com os servidores. “É muito triste essa visão que a atual administração tem dos servidores. A gente fica estarrecido com o descaso que ele nos trata”, afirmou Jerônimo Francisco, diretor do Sindicato dos Funcionários Públicos de Franca.

“Ele sempre foi muito arrogante”. “Ele sabe tudo e não te dá abertura para nada”. “Ele é muito prepotente”. “Nós estamos sozinhos nessa prefeitura e esse prefeito é muito difícil”. “Conversar com ele é impossível”… Foram algumas das milhares de reclamações que serviram para a decisão final dos servidores.

As exigências

Quanto à pauta de exigências do Sindicato, Alexandre negou praticamente todos os 30 itens. Contudo, em relação a maioria delas foi possível ler no documento “O prefeito concorda, porém…”. “Porém” foi a palavra imperativa que limitou todas as propostas, e transformou a aceitação em negação. “Ele fez somente uma enrolação. Concorda, mas não legaliza. Concorda, mas não aceita o formato. Não deu prazo, não deu valor, não deu nada. Foi realmente uma enrolação. A gente ficou muito revoltados com essa posição do prefeito”, explicou Fernando Nascimento, presidente do Sindicato.

Apenas o aumento foi concedido, mas de acordo com o índice o IPC, ou seja, Alexandre aprovou um dissídio de 4,97% quando os servidores estão pedindo 15%.

O diálogo de Alexandre com os funcionários enfrenta barreiras há muito tempo. Mas, nos últimos dias, só piorou, principalmente quando o prefeito tentou votar a emenda da Câmara sem o conhecimento – e apoio – do sindicato.

De acordo com Márcio do Flórida (PT), autor, junto com Luiz Vergara (PSB), da emenda, “o prefeito apresentou o índice de reajuste para o servidor de 4,97%, abaixo do INPC, que ficou em 5,38%. Então nós apresentamos uma emenda que propõe um aumento de 6,38% para o servidor, que é o INPC mais 1%, como o ganho real que o prefeito já tinha dito que ia dar”, explicou.

O prefeito discorda da emenda, sob o argumento de que o orçamento municipal fica comprometido. “Nós não somos irresponsáveis em comprometer o orçamento. Nós sabemos que há um limite que o poder público pode atingir com o pagamento do servidor, que é de 54%, das receitas líquidas do ano. Nós fizemos uma projeção com base no projeto enviado pelo próprio prefeito. De acordo com o que ele mandou, ele estaria comprometendo 50,62% do orçamento, abaixo do 54%. Com a nossa emenda, ela vai chegar no 51,30%. Então não infringirá a lei de responsabilidade fiscal”, garantiu o vereador, que agora espera o apoio dos demais legisladores na votação que acontecerá na próxima sessão da Câmara, terça-feira (18).

Depois de, aproximadamente, 80 minutos de reunião, chegou a hora de decidir qual a atitude seria tomada em relação a contraproposta do prefeito. “Greve” foi o grito de união que ecoou no teatro Judas Iscariotes, e não deu margem para dúvida. A partir daquele momento, os servidores começaram a greve.

Ato dos servidores da saúde

Servidores garantem que não são o problema da saúde / Foto: Amanda Pioli

Aproveitando a reunião e a necessidade de mudança, os servidores da Saúde saíram do teatro e rumaram para a Praça Central, onde promoveram um ato a favor de seus direitos e condições de trabalho. “Nós viemos aqui hoje como um ato de paz, para pedir à população que compreenda o que está acontecendo. Nós não somos ruins. As condições que são ruins”, afirmou uma servidora, que preferiu não se identificar.

Ela, que trabalha no Pronto-Socorro infantil, garante que a saúde de Franca “está na UTI”. “Você vê o descaso que está e o prefeito alega que é funcionário ruim e que ele oferece condições de trabalho. Mas as nossas condições de trabalho são precárias. Nós trabalhamos sem segurança. Trabalhamos no meio de insetos, que ele falou que não faz mal à saúde. A gente só quer dignidade para trabalhar. Ninguém está se negando a trabalhar”, garantiu. Ainda sobre a visita de Alexandre ao Pronto-Socorro, ela garantiu que o prefeito não deu tanta a importância às baratas, mesmo após uma delas subir em sua perna.

Para finalizar, quando perguntada sobre o que esperava de Alexandre, que já atuou como Secretário da Saúde, ela foi categórica: “Como servidor você sempre espera, mas como a gente já sabia como ele era, eu não esperava muita coisa não”, concluiu.

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