
Amigos imaginários na infância são normais?
Relacionamentos invisíveis são normais e importantes para o desenvolvimento da criança, porém, é necessário observar.
Foto: Alô Bebe
Se tem uma fase da vida dos filhos que mais assusta os pais é dos “amigos imaginários”. Preocupados e em estado de alarme, muitos pais presumem que este comportamento é anormal temendo algo de errado com o filho. Segundo a psicóloga Dayane Caravieri, isto é comum. “Ter amigos imaginários faz parte do desenvolvimento da criança. Por volta dos 03 aos 07 anos de idade isso é natural e pode indicar boa capacidade de imaginação e criatividade e, ás vezes, solidão, que não precisa ser necessariamente encarada como algo ruim”, diz ela.
Esse comportamento costuma surgir por diversas causas. Por ser uma fase de fantasias onde monstros, fantasmas e Papai Noel parecem existir, essa “pessoa” surge como um companheiro que ajuda a criança a se relacionar com o mundo, expressar suas emoções, compreender situações e acontecimento. “Essa experiência de faz de conta ajuda as crianças a criarem recursos para lidar com situações reais, como as de conflito, amor, perigo, ansiedade, medo, perda, estresse, até expressar seus mais profundos desejos”, explica a psicóloga.
Além destes fatores, a chegada de um irmão ou a separação dos pais, assim como um coleguinha próximo que se mudou para longe podem fazer com que os amigos imaginários apareçam.
Em geral, esses personagens costumam ser percebidos pela criança de modos invisíveis ou materiais, fazendo com que ela se apegue a um brinquedo, objeto ou tecido, como é bastante frequente.
Como lidar com isso
Além dos benefícios à formação da personalidade e desenvolvimento emocional da criança, essa realidade paralela se faz importante até mesmo para a linguagem oral. Por ser assim, negar a existência do amigo pode magoar a criança, fazendo com ela comece a se isolar. “É importante que os pais respeitem esse amiguinho, mas também observem como se dá a brincadeira para compreender se ela é saudável ou não”, orienta Dayane.
Segundo a psicóloga, o fato das crianças colocarem um lugar na mesa para o amigo, levá-lo em passeios de família, inclui-lo em suas atividades e conversar com ele quase o tempo todo é bastante normal, e os pais podem entrar na brincadeira. Mas, quando a criança começa a colocar a culpa de algo errado que ela mesma fez no amigo ou elogiá-lo demais, algo pode não estar indo bem. “No primeiro caso indica que ele está fugindo de suas responsabilidades e no segundo, sua autoestima pode estar baixa”, observa.
Se atentar aos temas das conversas e brincadeiras entre eles é o melhor método para analisar se essa relação está sendo construtiva ou não. Além disso, procure incentivar os relacionamentos reais, sempre observando que estas são saudáveis e interativas, para que ele não prefira ficar com o amigo invisível. Na escola, relatar esse comportamento ao professor é importante para que ele respeite isso também e ajude você a notar como ele se comporta com esse amigo invisível.
Hora do Adeus
O tempo de permanência deste amigo é bastante variável, dependendo da evolução emocional da criança. Geralmente, esse comportamento começa a desaparecer por volta dos 7 anos. “Um dia a criança simplesmente para de falar dele da mesma forma que larga o paninho ou o ursinho, que vivia com ela e lhe dava segurança”, garante Dayane.
Quando este momento chega, a criança começa a lidar melhor com a realidade, algo que antes era difícil ou relutante para ela. Por outro lado, quando a relação prevalece após os 8 anos, chegando a adolescência ou quando a criança usa o imaginário para culpa-lo pelos seus próprios atos, o acompanhamento com psicólogo é importante.
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